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Tragédia nos Alpes. Lufthansa paga €50 mil por passageiro

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FOTO REUTERS

Foram destacados mais socorristas para o local onde caiu o Airbus A320 da Germanwings. O cenário é de devastação total. 

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

A companhia aérea alemã Lufthansa, proprietária da Germanwings, vai pagar aos familiares 50 mil euros por cada passageiro, numa assistência financeira "imediata", noticia a "Reuters", que cita uma porta-voz da companhia. A pequena aldeia de Le Vernet, a mais próxima do local do acidente, tornou-se num local de acolhimento dos familiares, que estão a receber apoio psicológico.

Esta sexta-feira, o vento forte dificultou ainda mais o acesso das equipas à zona íngreme onde ocorreu o impacto, e que é feito basicamente por helicópteros. De um lado, as famílias, devastadas, à espera de poder fazer o luto. Do outro, o relato a partir do terreno de um cenário de destruição total, confirmando o que as imagens aéreas já faziam supor. As autoridades francesas mobilizaram mais 40 elementos da polícia e socorristas. Querem acelerar o resgate, bem como os mecanismos para ajudar a identificar os cadáveres. Mas o processo levará tempo.

"Enviámos de urgência uma equipa médico-legal para iniciar o processo de identificação", disse o coronel Patrick Touron, vice-diretor do Instituto de Pesquisa Criminal da Gendarmaria Nacional (polícia militar francesa), numa conferência de imprensa esta sexta-feira de tarde na região de Barcellonette, nos Alpes Franceses, onde caiu o Airbus A320.  De acordo com o responsável, o desastre aéreo foi de tal forma devastador" que as equipas enfrentam um obstáculo no reconhecimento dos cadáveres dado o seu estado. 

Objetos pessoais entregues pelos familiares das vítimas servem agora para recolha de amostras de ADN numa luta em contrarelógio por causa da decomposição dos restos mortais, que já estão a ser analisados. Patrick Touron avisa que os trabalhos podem durar "semanas". Foram criados laboratórios móveis em carrinhas em Seyne-les-Alpes. Em paralelo decorrem as buscas pela segunda caixa negra, que contém a informação dos parâmetros do voo.

Entretanto, o ministro do interior espanhol Jorge Fernández prevê que, a meio da próxima semana, os três corpos policiais que trabalham em "estreita colaboração" em Barcelona - a polícia científica dos Mosso d'Esquadra, Guardia Civil e Polícia Nacional - tenham completado o código genético dos 50 passageiros espanhóis confirmados entre as vítimas, fundamental para ajudar no reconhecimento das mesmas. Os dados estão a ser enviados para Paris.    

O copiloto Andreas Lubtiz que se acredita que terá acionado a descida a pique do avião, num ato deliberado, não deveria estar a voar nesse dia. Depois das buscas realizadas quinta-feira à residência de Lubitz em Düsseldorf e à casa dos pais em Montabaur, os investigadores revelaram terem sido encontrados dois atestados médicos, rasgados, que sugerem uma baixa por um determinado período e que incluía o fatídico dia 23.

O copiloto não terá informado o empregador da sua situação, segundo os novos dados avançados pela procuradoria de Düsseldorf. Especula-se que possa ser um caso de depressão. Em 2009, terá sido esse motivo que o levou a interromper por seis meses o curso de formação de piloto na escola da Lufthansa, em Bremen. Não está confirmada a doença. Muitas perguntas continuam sem resposta.