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Tragédia nos Alpes. Extraído áudio intacto de uma das caixas negras

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Imagens de umas das caixas negras do avião, que foi encontrada em estado danificado

BEA/Reuters

Investigadores estão a tentar reconstituir os momentos que antecederam a queda do aparelho. Pela frente está um período de trabalho que pode demorar meses.

Carlos Abreu, Vera Lúcia Arreigoso e Raquel Pinto

Os investigadores conseguiram extrair com sucesso um arquivo áudio intacto de uma das caixas negras do Airbus A320 que se despenhou terça-feira nos Alpes franceses. No entanto, ainda é prematuro tirar qualquer conclusão, sublinhou o diretor do Gabinete francês de Investigação e Análise de Acidentes de aviação Civil (BEA), Rémi Jouty, numa conferência de imprensa esta quarta-feira de tarde. 

As declarações do responsável contrariam a notícia inicialmente avançada pelo jornal norte-americano "The New York Times" de que os registos áudio do cockpit estariam danificados, citando uma fonte ligada à investigação do acidente.

A primeira caixa negra, que contém o dispositivo que permite reconhecer as vozes e o som ambiente da cabine nos últimos minutos de voo, está a ser analisada em Paris, para que os investigadores possam reconstituir os momentos que antecederam a queda do aparelho.

Rémi Jouti confirmou que foi possível extrair um registo de dados audível - existem "vozes", precisou, sem revelar mais detalhes quanto à duração, tipo de voz ou a linguagem. É preciso agora "analisá-lo em detalhe e cruzá-lo com  os dados do avião na segunda caixa negra", referiu Joudi que não confirmou se o material encontrado mostrava que os pilotos estavam conscientes.

Segundo o responsável, espera-se que "dentro de dias" possa sair um resultado preliminar, mas haverá pela frente um longo período de trabalho para tentar apurar as causas do acidente. "Podem ser semanas ou podem ser meses, não sabemos", frisou. 

As autoridades não irão revelar os nome dos pilotos enquanto estiver em curso a investigação, mas "vamos investigar o histórico profissional" de cada um deles, garantiu Jouti. 

A "carcaça" da segunda caixa negra, que deveria guardar informação crucial sobre o voo, como por exemplo a velocidade, a altitude e a rota, foi já localizada esta quarta-feira, mas sem o suporte onde estas informações ficam guardadas, anunciou o Presidente francês, François Hollande, e que prosseguem as buscas para encontrar esse registo. Jouti disse que ainda não têm a segunda caixa negra mas não pode confirmar a observação de Hollande de que fora localizado o invólucro da mesma.

No entanto, um especialista disse ao Expresso que, muito provavelmente, o A320 da Germanwings já está equipado com um sistema que comunica em tempo real os parâmetros de voo para o centro de manutenção, onde estes terão ficado registados noutro computador.

Para já, ninguém vislumbra, em rigor, o que terá levado o avião a efetuar uma descida de emergência sobre uma região montanhosa, depois de sobrevoar o Mediterrâneo, em ótimas condições climatéricas. Também ninguém percebe o que terá levado os pilotos a não comunicar esta manobra ao controlo aéreo, sugerindo que estariam a tentar controlar o avião enquanto perdia altitude. 

Especialistas em segurança aérea que não estão a participar nas investigações admitem que os pilotos terão ficado incapacitados instantaneamente devido a um acontecimento brusco, como por exemplo um incêndio ou uma despressurização.