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Internacional

Terminaram as ocupações de protesto em Hong Kong

Athit Perawongmetha/Reuters

Apesar de se terem recusado a sair, os manifestantes que ainda permaneciam acampados perto da sede do governo não ofereceram resistência à polícia, que os deteve.

"Penso que o espírito do movimento ainda vive, mas a ideia de ocupação das ruas terminou", afirmou Andrew Chan, estudante de 20 anos, à medida que era expulso pela polícia que desmontou, esta quinta-feira, as barricadas e tendas dos manifestantes pró-democracia na zona de Admiralty, próximo de edifícios governamentais e do centro empresarial de Hong Kong.

"Nós já não conseguimos fazer com que uma multidão saia à rua para lutar contra a polícia que está a desocupar o local", acrescentou. Apesar de se terem recusado a abandonar o local, dezenas de manifestantes acabaram por ser detidos sem oferecer resistência.

"Nós somos pacíficos", "não temos medo", "desobediência civil" e "democracia civil" foram algumas das palavras de ordem dos manifestantes na altura da intervenção policial. Entre os detidos encontra-se a popular cantora Denise Ho, que entoou cânticos incitando à "desobediência civil", segundo refere o jornal local "South China Morning Post".

Protesto chegou a contar com cerca de 100 mil pessoas

"O movimento foi surreal. Ninguém imaginaria que pudesse durar mais de dois meses... num local em que o tempo e o dinheiro são vitais", afirmou outro manifestante, Javis Luk, de 27 anos, citado pela agência Reuters.

A ocupação de algumas ruas de Hong Kong decorria desde 28 de setembro, num protesto que chegou a juntar cerca de 100 mil pessoas, grande parte dos quais estudantes. Os manifestantes contestaram as regras anunciadas pela China para as eleições de 2017, nas quais os habitantes de Hong Kong irão eleger os seus representantes políticos locais. Ao contrário do que fora prometido, a votação será restrita a candidatos pré-seleccionados por um comité eleitoral nomeado pelo Governo de Pequim.

"O movimento foi um processo de despertar para Hong Kong. Pessoas que não estavam interessadas em política passaram a estar e agora não têm medo de ser detidas, especialmente os jovens", afirmou Lee Cheuk-yan, deputado do Partido dos Trabalhadores de Hong Kong.