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Teoria de que islamitas mataram Nemtsov "não faz sentido", acusa oposição russa

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Zaur Dadayev, presente a tribunal no domingo, confessou estar envolvido no assassinato de Boris Nemtsov

Tatyana Makeyeva /Reuters

Presidente da Tchetchénia defende patriotismo do único homem que admitiu estar envolvido no assassínio do político opositor de Putin e justifica-o por motivos religiosos. Defensores de Nemtsov não dão crédito a esta versão.

Justificar o homicídio de Boris Nemtsov associando-o a motivos religiosos, e dizer que foi morto por islamistas "não faz sentido e é útil ao Kremlin por desviar as acusações quanto ao envolvimento oficial" do regime, acusa um colega do político assassinado.

A versão foi posta a circular depois de Zaur Dadayev, antigo membro do batalhão Sever, do Ministério do Interior da Tchetchénia, no Cáucaso, ter confessado o seu envolvimento no crime. Como seu antigo superior, o atual Presidente do país, Ramzan Kadyrov, veio a público elogiar o patriotismo de Zaur e defendeu que Nemtsov foi morto por apoiar a publicação das caricaturas do profeta Maomé pelo jornal satírico francês "Charlie Hebdo".

"Todos os que conhecem Zaur sabem que é uma pessoa extremamente religiosa e, como todos os muçulmanos, ficou muito chocado com aquilo que 'Charlie [Hebdo]' publicou, e com os comentários daqueles que o apoiaram", escreveu Kadyrov na sua página da rede social Instagram. "Se o tribunal o considerar culpado, terá cometido um crime grave ao matar uma pessoa, mas nunca faria nada para prejudicar a Rússia, país pelo qual arriscou a sua vida durante anos", acrescentou. 

Verdadeiros responsáveis "ficarão em liberdade"

A teoria não colhe junto dos apoiantes de Nemtsov. "Os nossos piores receios estão a tornar-se realidade", admitiu Ilya Yashin, colíder do pequeno partido de oposição a que pertencia o político assassinado. "O autor do crime será acusado, enquanto os que realmente o ordenaram continuarão em liberdade", afirmou, citado pela agência Reuters. "Dizer que foi morto por islamitas não faz sentido, apenas serve ao Kremlin para afastar Putin da linha de fogo", concluiu.

Boris Nemtsov, de 55 anos, foi alvejado no dia 27 de fevereiro, quando passeava com a namorada nas imediações do Kremlin, no centro de Moscovo. Para os seus defensores, a verdadeira causa para o crime reside num relatório que o político preparava, no qual reunia provas sobre o envio de tropas russas, de forma regular, para o leste da Ucrânia - algo que Moscovo sempre negou.

No domingo foram detidos cinco suspeitos pelo alegado envolvimento na morte do político da oposição russa. A justiça acusa Zaur e outro homem, Anzor Gubashev, que assegura ter como alibi o facto de se encontrar a trabalhar no momento em que ocorreu o crime. O irmão mais velho de Gubashev, Shaguid, e ainda Ramzat Bajaev e Tamerlan Eskerjanov são também considerados suspeitos, mas qualquer dos três homens afirma estar inocente.