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Tensão aumenta nas ruas de Baltimore

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Freddie Gray, 25 anos, foi detido pela polícia no dia 12 de abril, e morreu uma semana depois na sequência de uma fratura cervical.

Jim Watson/AFP/Getty Images

Freddie Gray, um jovem afro-americano de 25 anos, foi detido pela polícia no dia 12 de abril, acusado de posse de arma branca. Uma semana depois, acabaria por morrer, na sequência de uma fratura cervical. População responsabiliza agentes da polícia pela sua morte.

Helena Bento

Jornalista

Pelo menos doze pessoas foram detidas na noite de sábado em Baltimore, depois de uma manifestação pacífica pela morte Freddie Gray, que terminou em confrontos com a polícia e outros atos de vandalismo.

Freddie Gray, um jovem afro-americano de 25 anos, foi detido pela polícia no dia 12 de abril, acusado de posse de uma arma branca. Uma semana depois, acabaria por morrer, na sequência de uma fratura cervical. As causas da morte estão ainda por apurar, mas os seis polícias que estiveram envolvidos na detenção foram já suspensos.

Foi perto do local onde Freddie Gray foi detido, no bairro de Sandtown, na zona oeste de Baltimore, que o grupo de manifestantes se reuniu, munido de pedras, garrafas de vidro, ovos e outros objetos. O grupo deslocou-se depois até à esquadra da polícia - onde o jovem esteve detido até ser levado de ambulância para o hospital com ferimentos graves - e insultou os agentes da polícia que ali se encontravam, acusando-os de estarem a "atacar os cidadãos americanos".

Fredericka, irmã gémea de Freddie Gray, apelou à calma. "Freddie Gray não iria querer isto", disse numa conferência de imprensa em que apareceu ao lado do autarca Stephanie Rawlings-Blake. "O pai e a mãe de Freddie não querem violência. A violência não traz justiça". 

A população de Baltimore tem saído à rua, organizada em manifestações, desde que o jovem morreu, mas os protestos deste sábado foram os mais violentos, segundo a BBC. Também nas imediações do estádio da equipa de basebol Baltimore Orioles, que se preparava para enfrentar o Boston Red Sox, a polícia foi chamada a intervir depois de vários carros de patrulha terem sido destruídos e uma loja assaltada por protestantes.

Agentes protegidos com capacetes e fatos blindados, e apoiados por outros polícias montados a cavalo, investiram sobre os protestantes que gritavam o nome de Gray e exigiam que os seis polícias suspensos fossem julgados. "Dia e noite, vamos lutar pelo Freddie Gray".

Anthony Batts, comissário da polícia, admitiu esta sexta-feira numa conferência de imprensa que os agentes da polícia "falharam repetidamente" na prestação de cuidados médicos a Freddie Gray. A união dos oficiais da polícia criticou as declarões do comissário, que considerou "politicamente comprometidas" e "prematuras".

As investigações sobre a morte do jovem prosseguem até dia 1 de maio, data em que vão ser conhecidas as causas da sua morte, e saber se os seis polícias envolvidos na sua detenção vão ou não a julgamento.