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Internacional

Suspensa a administração de fármaco usado em doentes de ébola na Serra Leoa

A equipa médica britânica afirmou que o medicamento amiodarona “estava a ser administrado demasiado cedo”.

BAZ RATNER/REUTERS

Um medicamento não testado que foi administrado em doentes de ébola foi o que motivou a que uma equipa de médicos e enfermeiros britânicos se despedissem de um centro de tratamentos na Serra Leoa.

No centro de tratamento Lakka, na Serra Leoa, uma equipa de 14 médicos, enfermeiros e paramédicos britânicos recusaram-se a trabalhar depois de terem administrado medicamentos para o coração em doentes do ébola. O procedimento foi considerado imprudente por ainda não ter sido devidamente testado.

O local de tratamentos Lakka era gerido pela Emergência, uma Organização Não Governamental (ONG) italiana criada pelo cirurgião italiano Gino Strada, que tinha como objetivo a possibilidade de concretizar cirurgia cardíaca nos locais mais pobres de África

O posto de tratamentos Lakka recebeu voluntários ingleses que consideraram que os cuidados de saúde poderão ter contribuído para uma taxa de mortalidade mais elevada do que noutros centros de tratamento, de acordo com o jornal britânico "The Guardian".

Um comunicado do Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID) relata que a equipa médica afirmou estarem "cientes de que o uso experimental de amiodarona (medicamento utilizado para regular o batimento cardíaco) estava a ser administrado demasiado cedo". 

A equipa médica do Lakka terá confirmado que os pacientes do centro de tratamento sofreram variadas complicações médicas depois de terem recebido esta medicação.

"A nossa preocupação imediata foi o uso precoce de amiodarona, particularmente no grupo de pacientes com fisiologias complexas, e que os efeitos colaterais do medicamento pudessem ter contribuído para o aumento da mortalidade no Centro de Tratamento do ébola", escreve o "Guardian".

O Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido recebeu um alerta da equipa médica onde afirmavam que os medicamentos eram administrados sem o consentimento do paciente e sem o devido controlovmédico.

"Assim que soubemos, pedimos à equipa que parasse de administrar o medicamento e retirámos de lá os voluntários", disse um porta-voz do DFID citado pelo diário britânico. 

Jeremy Farrar, diretor da "Wellcome Trust" uma empresa que financia testes de medicamentos na África Ociental garantiu que a amiodarona pode afetar o funcionamento do coração.

Um estudo publicado esta semana pela revista "Emerging Microbes and Infections" revelou que foram encontrados 53 medicamentos que podem ajudar a combater o vírus do Ébola. Entre esses fármacos não constava o uso de amiodarona.