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Socialistas sofrem pesada derrota na segunda volta das departamentais

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FOTO REUTERS/CHRISTIAN HARTMANN

Estimativas indicam que a esquerda perdeu para a direita metade dos departamentos franceses que controlava. Frente Nacional, de Marine le Pen, confirma implantação no país. Nicolas Sarkozy, líder da coligação da direita com os centristas, é grande vencedor e diz que nunca uma maioria sofreu tamanha derrota.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

Na primeira volta das eleições departamentais, no domingo passado, o primeiro-ministro, Manuel Valls, tinha acendido um charuto para comemorar o facto de a Frente Nacional (FN) não ter conquistado o primeiro lugar no escrutínio - chegara em segundo, depois da coligação de direita (UMP) com os centristas. O PS, no poder em Paris, tinha chegado em terceiro.



Neste domingo, na segunda volta, Valls reagiu aos resultados com um sorriso amarelo: a coligação da direita, dirigida pelo ex-presidente, Nicolas Sarkozy, conquistou cerca de 70 dos 100 departamentos franceses e os socialistas perderam metade dos que controlavam até agora.



A derrota dos socialistas é histórica e foi sublinhada esta noite pelo ex-presidente francês.



Pelo seu lado, a FN, de Marine le Pen, prejudicada pelo sistema eleitoral maioritário a duas voltas, que favorece os partidos com capacidade para estabelecerem alianças entre a primeira e a segunda votação, não conseguiu conquistar sequer a maioria num departamento.



Trata-se de uma derrota relativa para a FN que, no entanto, conseguiu eleger pela primeira vez na história francesa diversos deputados para os Conselhos Gerais, as assembleias que definem as políticas nos departamentos franceses.



Os Conselhos Gerais definem medidas de proximidade como proteção à infância, atribuição de certas ajudas sociais, gestão de redes de estradas nos departamentos, administração turística e políticas escolares e de solidariedade.





Todos a pensar nas presidenciais

Nicolas Sarkozy sai reforçado destas eleições e ganha legitimidade para se recandidatar às presidenciais de 2017, apesar das divisões no seu partido e dos seus problemas judiciais.



Pelo seu lado, o atual presidente, François Hollande, fica mais enfraquecido do que nunca e uma parte dos socialistas da ala esauerda acusa-o a ele e a Valls de serem responsáveis pela nova derrota do PS no seguimento das recentes eleições municipais e europeias.



Quanto a Marine le Pen, aposta agora tudo nas próximas eleições regionais, no fim do ano, que lhe serão mais favoráveis por decorrerem sob o sistema eleitoral proporcional.



Em declarações este domingo, depois dos resultados da segunda volta das departamentais, os chefes da FN sublinharam a implantação regional do partido na perspetiva das eleições presidenciais de 2017 para as quais a maioria das sondagens dão Marine le Pen em primeiro lugar na primeira volta.