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Internacional

Síria. 45 meses de guerra e 11 milhões de pessoas longe de casa

Menino sírio com um helicóptero que recebeu de presente. Está a crescer num campo de refugiados no Líbano

Reuters

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados está a recolher fundos para tentar dar um inverno menos gelado aos refugiados sírios. Desde que a guerra começou em março de 2011 metade dos sírios foram obrigados a abandonar as suas casas.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, liderado por António Guterres [ACNUR), diz que a guerra civil na Síria é responsável pela "maior emergência humanitária da nossa era". Muitos dos "três milhões de refugiados" que saíram do país enfrentam agora "um inverno amargo" que só poderá ser atenuado com o contributo dos doadores.

Os dados mais recentes estimam que 10,8 milhões de pessoas [o equivalente a toda a população de Portugal] "foram afetados pelo conflito e que necessitam de assistência humanitária, incluindo 6,5 milhões de deslocados internos".

Meninas sírias com barretes do Pai Natal 'oferecidos' por uma ONG. Vivem num campo de refugiados no Líbano

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Reuters

A organização dirigida por Guterres alerta ainda para a necessidade de se encontrar uma solução política para o conflito, caso contrário o número de pessoas afetadas vai aumentar em 2015.

Dados do  Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) revelam que mais de 200 mil pessoas, incluindo cerca de 63 mil civis, foram mortas desde o início da guerra civil em março de 2011. Quarenta e cinco meses depois, o regime de Assad diz estar disponível para participar num encontro com a oposição síria em Moscovo para tentar encontrar uma solução para a guerra civil. "A Síria está pronta para participar num encontro preliminar e consultivo em Moscovo para responder às aspirações dos sírios, que estão a tentar encontrar uma solução para a crise", indicou um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio, citado pela agência oficial Sana.

Há quatro anos estas pessoas tinham uma 'vida normal' neste bairro de Damasco

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Reuters

Na última quinta-feira, a diplomacia russa afirmou que Moscovo, um aliado tradicional do regime sírio liderado por Bashar al-Assad, conta receber no próximo dia 20 de janeiro uma reunião da oposição síria, interna e externa. Em função do resultado deste encontro, os representantes do Governo sírio serão convidados a deslocarem-se a Moscovo para "trocar pontos de vista" com os opositores e para um "diálogo entre as duas fações do conflito" sírio.

Turquia esperava 100 mil refugiados. Recebeu dois milhões

O chefe da Coordenação Geral de Refugiados Sírios da Turquia, Veysel Dalmaz, disse à agência Lusa que neste momento já há mais de dois milhões de refugiados sírios na Turquia e que aquele país já esgotou a capacidade de assistência humanitária. "A nossa política é de fronteira aberta, não recusamos ninguém que venha da Síria, não fazemos discriminação de qual lado estão. Aceitamos a entrada deles, sempre que possível para acolhê-los", afirmou Dalmaz.

A Turquia tem 22 campos de refugiados, com estruturas para acolher 220 mil sírios espalhados. Um novo campo com capacidade para 20 mil pessoas está a ser construído para acolher pessoas que vivem "em campos alternativos como do Partido Democrático do Povo (HDP), uma representação legal dos curdos dentro do Parlamento em Ankara", refere a Lusa. O governo de Ancara tem permitido a existência destes campos alternativos que acolhem curdos oriundos da Síria, por não ter capacidade de acolher todos estes refugiados.

Antes de ser uma ruína, Aleppo, a mais antiga cidade do mundo, tinha 2 milhões de habitantes e era património da humanidade.

Antes de ser uma ruína, Aleppo, a mais antiga cidade do mundo, tinha 2 milhões de habitantes e era património da humanidade.

Reuters

Muitos oriundos destes refugiados são oriundos de Kobane, e fugiram em massa quando o Estado Islâmico avançou sobre esta pequena cidade do norte da Síria. Só de "Kobane chegaram 200 mil pessoas. No dia que as bombas estavam a cair sobre a população, tivemos que abrir rapidamente os portões da fronteira. Definimos áreas de espera para as milhares de pessoas", explicou Dalmaz à jornalista da Lusa, Fabíola Ortiz, lembrando que "não há um país que tenha conseguido absorver tanta gente em tão pouco tempo. A Turquia está a realizar uma operação humanitária em grande escala".

Apesar dos esforços, neste momento, 1,5 milhões de sírios vivem em aldeias e cidades de toda a Turquia. Os sírios que entram na Turquia devido ao conflito armado não são considerados refugiados e, por isso, não têm o mesmo estatuto legal de um cidadão turco. Quando passam a fronteira, recebem um visto temporário que não os autoriza a procurar um emprego legal.

"Damos um visto de acomodação temporário pois pensamos que quando a guerra acabar, eles voltarão para o seu país. No início imaginávamos receber cerca de 100 mil", mas esse número já ultrapassou os dois milhões", explicou à Lusa.