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Sequestro na Turquia acaba com vítima e raptores mortos

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Depois de ouvirem tiros, as autoridades locais deram início à operação de resgate do procurador Mehmet Selim Kiraz

FOTO OZAN KOSE/AFP/Getty Images

O procurador turco Mehmet Selim Kiraz foi feito refém esta terça-feira no Palácio da Justiça de Caglayan. Após seis horas de negociações e de se ouvirem disparos dentro do edifício, as autoridades turcas entraram no edifício. 

O procurador Mehmet Selim Kiraz acabou por falecer depois de ter sido atingido com cinco tiros, três na cabeça e dois no corpo. O anúncio foi feito pelo líder turco Tayyip Erdogan, citado pela Reuters. Já os dois sequestradores que fizeram o procurador refém no Palácio da Justiça de Caglayan (Istambul) foram mortos pelas autoridades turcas.

Apesar de Mehmet ter sido levado em seguida para o hospital, não resistiu aos ferimentos. "Já estava morto quando chegou ao hospital. Tentámos fazer o nosso melhor, mas falhámos no seu resgate", afirmou um oficial do hospital Nightingale à CNN.

Depois de mais de seis horas em negociações e de se ouvirem disparos dentro do sexto andar do edifício, as autoridades daquele país decidiram entrar na sala onde estava o procurador e acabaram por matar os homens armados, suspeitos de pertenceram à Frente Revolucionária de Libertação do Povo. Nessa altura, o procurador já estava "gravemente ferido".

"Negociámos com os terroristas durante seis horas, mas assim que ouvimos os tiros entrámos na sala onde estava o procurador", afirmou o chefe de Segurança de Istambul, Selami Altinok. 

Durante a tarde desta terça-feira, e enquanto estavam a ser feitas as negociações com os raptores, ouviu-se uma explosão seguida de vários tiros dentro do Palácio onde os sequestradores estavam com Mehmet Selim Kiraz. A CNN avançou com a notícia de que, além dos tiros e das explosões que se ouviram durante "algum tempo", era ainda possível ver uma nuvem de fumo que saía do sexto andar do edifício.

Ainda não se sabe como é que os raptores entraram dentro do Palácio da Justiça com as armas.

O que os raptores pretendiam 

Os raptores - suspeitos membros da Frente Revolucionária de Libertação do Povo, um grupo considerado terrorista pela Turquia, União Europeia e Estados Unidos - fizeram Mehmet Selim Kiraz refém por ser o responsável pelo inquérito sobre os ferimentos mortais infligidos ao jovem de 14 anos Berkin Elvan, durante as manifestações antigovernamentais de 2013. Em troca da liberdade do procurador, exigiam que as autoridades locais anunciassem os nomes dos quatro membros dos serviços de segurança que estavam envolvidos na morte de Berkin Elvan.

O jovem de 14 anos foi atingido na cabeça por uma cápsula de gás lacrimogéneo durante os protestos do início do verão de 2013 contra o Governo de Recep Tayyip Erdogan. Faleceu no ano passado num hospital turco, depois de ter estado nove meses em coma. 

O pai de Berkin apelara aos raptores para que desistissem do sequestro, mas em vão: "O meu filho está morto, mas não deixem mais ninguém morrer (...) Vocês não podem lavar o sangue com sangue".

 

A morte do jovem já tinha originado vários protestos, levando para as ruas dezenas de milhares de pessoas, voltando a ser reprimidos pelas autoridades turcas.