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Sem-abrigo morto em Los Angeles tinha identidade falsa e era um ex-condenado

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Imagens captadas por um transeunte mostram o momento em que a polícia de Los Angeles disparou sobre um sem-abrigo

DR

Charley Saturmin Robinet cumpriu pena por assaltar um banco e violou as condições da liberdade condicional. A sua identidade permanece um mistério.

O sem-abrigo morto na rua pela polícia de Los Angeles - caso que esta semana gerou a indignação dos norte-americanos - vivia com uma identidade falsa, francesa, e era procurado por violação dos termos da liberdade condicional, informaram as autoridades da França e dos EUA.



Condenado por assaltar um banco, desconhece-se como o homem acabou a viver na rua, bem como a sua verdadeira nacionalidade e identificação.



Segundo a AP, apresentava-se como Charley Saturmin Robinet, 39 anos, nome adiantado à agência de notícias por uma fonte policial, sob anonimato.



O cônsul francês nos Estados Unidos explicou que esse foi o nome usado para requerer na embaixada um passaporte, no final dos anos de 1990. Como justificação afirmou pretender seguir uma "carreira como ator".



Em 2000 acabaria por ser identificado como cidadão francês quando foi condenado por um assalto à mão armada a uma dependência bancária, com o objetivo de arranjar dinheiro para pagar as aulas de representação.



Estava quase a sair da prisão, em 2013, quando foi desmascarado como impostor. O verdadeiro Robinet vive uma vida normal, em França, aparentemente sem ter noção de que alguém usava a sua identidade, explicou o mesmo diplomata.

      

Ainda na prisão foi submetido a uma série de exames, que determinaram que sofria de uma perturbação mental, diagnóstico que motivou a sua transferência para uma unidade psiquiátrica. Aí permaneceu seis meses, até ser libertado, em maio de 2014, confirmou entretanto um porta-voz dos Serviços Prisionais.



Não sendo realmente francês, o falso Robinet não foi deportado, como acontece habitualmente com cidadãos estrangeiros que cometam crimes, pelo que a sua situação acabou num imbróglio sem que os serviços de imigração conseguissem determinar o seu destino. E assim ficou livre, sem nunca mais ter cumprido as apresentações periódicas às autoridades, como lhe fora imposto.



Sobre a sua morte na rua, alvejado pela polícia, num incidente filmado por um transeunte, as autoridades explicaram ter respondido a uma chamada por causa de um assalto na zona. O homem "desobedeceu e tornou-se violento", tentando apoderar-se da arma de um dos polícias, o que levou os outros agentes a disparar.