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Segunda caixa negra confirma. Destruição do A320 terá sido intencional

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Jean-Pierre Clatot / AFP / Getty Images

Primeira análise à segunda caixa negra, encontrada esta quinta-feira nos Alpes franceses, aponta para uma ação intencional do copiloto alemão. Andreas Lubitz terá modificado várias vezes os parâmetros de voo e aumentado a velocidade do avião, enquanto este descia.  

É só a primeira leitura. Mas a segunda caixa negra do Airbus A320 da Germanwings aponta para uma ação intencional por parte do copiloto Andreas Lubitz de destruir o avião contra os Alpes franceses, a 24 de março, terça-feira, levando consigo para a morte 149 pessoas. A informação é avançada esta sexta-feira pelo departamento de Investigações e Análises de França. 

"Uma primeira leitura dessa segunda caixa, que regista os parâmetros técnicos de voo, assinala que [o copiloto] recorreu ao sistema de piloto automático para iniciar a descida e que o modificou posteriormente, em várias ocasiões, para aumentar a velocidade do avião", indicou, em comunicado, o departamento francês. A caixa, tecnicamente designada Flight Data Recorder (FDR), regista os parâmetros de voo (velocidade, altitude e pilotagem) durante as últimas 25 horas de trajeto. 

Recorde-se que a segunda caixa negra do avião da companhia de baixo custo da Lufthansa, que realizava o voo U4-9525 entre Düsseldorf e Barcelona, foi encontrada esta quinta-feira no local do impacto, enterrada.  

Desta forma, é reforçada a tese de intencionalidade e suicídio do copiloto alemão Andreas Lubitz. Também esta quinta-feira os responsáveis alemães recolheram um tablet no apartamento de Lubitz em Düsseldorf, no qual encontraram pesquisas, efetuadas entre 16 e 23 de março, sobre como se suicidar e ainda sobre o sistema de fecho de porta da cabine de pilotagem. 

A primeira caixa negra 

A primeira caixa negra, que registava as conversas e ruídos dentro do avião, já tinha sido encontrada e analisada, reforçando a tese de que Andreas Lubitz seria suspeito. Segundo as informações retiradas dessa caixa, Andreas teria bloqueado a porta do cockpit, quando o comandante saiu temporariamente.

Seria às 10h32 (9h32 em Lisboa) que os controladores aéreos tentariam pôr-se em contacto com o avião. Não obtiveram, no entanto, nenhuma resposta. É nesse momento que se ouvem pancadas na porta.

Provavelmente com consciência de que o avião estava a diminuir altitude, o comandante tenta entrar no cockpit e grita: "Por amor de Deus, abre a porta!". Minutos depois (10h35 hora local, menos uma em Lisboa) escuta-se um ruído forte "metálico" contra a porta do cockpit, que não ficou determinado.

O jornal alemão, citado pelo espanhol "La Vanguardia", aponta para a possibilidade de o comandante tentar dar machadadas na porta com algo metálico. Um minuto depois, o comandante grita: "Abre a maldita porta!". Depois disso, é o silêncio, escutando-se apenas a respiração de Andreas, que as autoridades francesas definiram como "calma".