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Secretário-geral da NATO espera de Portugal maior investimento na defesa

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“Espero de todos os aliados da NATO, incluindo Portugal, que parem os cortes e aumentem o gasto com a defesa, à medida que a economia cresce”, diz Stoltenberg

Julien Warnand/EPA



É a primeira visita oficial de Jens Stoltenberg desde que assumiu o cargo em outubro. O Expresso viajou com o secretário-geral de Bruxelas para Lisboa.

Susana Frexes

O secretário-geral da NATO quer ver invertida a tendência de desinvestimento na defesa, que se verifica desde o final da Guerra Fria. Jens Stoltenberg compreende os cortes que foram feitos nos últimos anos devido à crise, mas alerta que os tempos em termos de segurança estão a mudar. "Os políticos preferem investir em educação e saúde (...), mas ao mesmo tempo temos de garantir que investimos o suficiente em segurança". "Quando perdemos a segurança, perdemos muito mais", explica em conversa exclusiva ao Expresso, na viagem entre Bruxelas e Lisboa.



A razão para um maior investimento está numa alteração do quadro de segurança internacional, com a instabilidade política a aumentar a sul e no leste da Europa. Stoltenberg diz que é preciso investir mais em defesa e dá como exemplo os tempos em que era primeiro-ministro da Noruega. "No início também reduzimos a despesa com a defesa, mas desde 2008 aumentámos como reflexo do aumento das tensões", conta.



"Espero de todos os aliados da NATO, incluindo Portugal, que parem os cortes e aumentem o gasto com a defesa, à medida que a economia cresce", diz Stoltenberg. No caso português, o dirigente da NATO nota já que "os cortes pararam" e que a previsão para 2015 é de "um aumento da despesa". Na última Cimeira da NATO, no País de Gales, os 28 Estados-membros concordaram em chegar a um investimento de 2% do Produto Interno Bruto, nos próximos dez anos.



Na agenda da primeira visita de Stoltenberg a Portugal está a participação do país na nova força de reação rápida da organização atlântica, conhecida como Força Ponta da Lança (Spearhead Force). O objetivo é diminuir o tempo de resposta das forças aliadas em caso de ameaça súbita. "Para responder aos desafios, às ameaças que observamos do sul, do norte de África e do Médio-Oriente, mas também para responder ao comportamento mais agressivo da Rússia", explica Stoltenberg.

 

Portugal terá um peso significativo, já no próximo ano, ao contribuir com 600 militares do Exército para a força de elevada prontidão, que envolve um total de cinco mil homens. A primeira missão para fazer face a ameaças súbitas estará operacional em 2016 e será liderada pela Espanha.

 

"A Spearhead Force é importante e a participação de Portugal é vital", acrescenta o norueguês, referindo-se ainda ao papel que o país vai ter em outubro durante o "Trident Juncture 2015", um dos maiores exercícios da NATO desde o final da década de 80. Vai envolver Portugal Espanha e Itália, entre 3 de outubro e 6 de novembro.

 

Em Lisboa, Jens Stoltenberg tem encontro marcado com o Presidente da República, Cavaco Silva. O norueguês vai também encontrar-se com o primeiro-ministro Passos Coelho, com o ministro dos Negócios Estrangeiros Rui Machete e com o ministro da Defesa Aguiar Branco.