Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Schäuble: Grécia arrisca "sair acidentalmente" do €. Tsipras: "Estou muito otimista numa solução"

FOTO REUTERS

Além dos contrastes de estado de espírito, há uma sondagem na Alemanha que convém conhecer.

No dia em que arrancaram as reuniões técnicas em Atenas - que juntam o Governo grego, o Banco Central Europeu (BCE), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia (CE) e o responsável dos Fundos Europeus de Resgate - para avaliarem as propostas de reformas do Executivo helénico, o clima volta a ficar mais tenso entre a Grécia e a Alemanha.

O ministro alemão das Finanças, Wolfang Schäuble, disse em entrevista à estação de televisão austríaca ORF que a ajuda à Grécia só depende desta, alertando para o risco de o país poder vir a "sair acidentalmente" da zona euro. "Além da responsabilidade, a possibilidade de decidir o que acontece está nas mãos da Grécia, e como não sabemos exatamente o que as pessoas que lideram estão a fazer, não podemos colocar de parte a hipótese de uma saída acidental do país da zona euro", declarou o governante, citado pelo jornal "Ekathimerini".

Segundo Schäuble, a falta de progresso no cumprimento por parte da Grécia do acordo com o Eurogrupo está a aumentar as possibilidades de o país deixar a moeda única. Estas declarações surgem na mesma altura em que foi divulgada uma nova sondagem da televisão alemã  ZDF que mostra um crescente sentimento antigrego. Segundo o barómetro, 52% dos inquiridos estão contra a continuação da Grécia na zona euro, mais 9% do que as pessoas que deram a mesma resposta na sondagem do último mês.

A sondagem revela ainda que só 11% dos inquiridos consideram que o Executivo helénico está a atuar com respeito em relação aos parceiros europeus, enquanto 82% acreditam que o governo de Alexis Tsipras não vai implementar as medidas anunciadas.

Também Angela Merkel acredita nesta tese, segundo o líder parlamentar do partido da chanceler, Volker Kauder, citado pela Reuters. "O Governo grego tem que apresentar agora o seu programa com comprometimento para poder ser desembolsado o segundo pacote de ajuda. É o único ponto em que temos que nos focar", afirma Volker Kauder.

O líder parlamentar dos conservadores garantiu ainda que a "Grécia não receberá nenhum tratamento especial", nem a Alemanha será "seduzida" pelo discurso de Atenas, depois de um mal-entendido que gerou um novo mal-estar nas relações bilaterais, quando a imprensa grega acusou Schäuble de ter insultado Varoufakis, ao classificá-lo de "tonto" e "ingénuo", questão que já foi desmentida pela tradução do discurso e pelo próprio ministro alemão das Finanças.   

Relativamente a uma eventual saída da Grécia do euro, o ministro austríaco das Finanças considerou igualmente que "existe esse risco". "Desde o momento que se decide entrar numa moeda comum, têm de se assumir as responsabilidades e seguir as regras", defendeu Hans Jörg Schelling num encontro em Viena com o seu homólogo alemão.

Problemas e otimismos

Do lado grego, além das contínuas críticas à postura alemã - ainda na quarta-feira Yanis Varoufakis disse numa entrevista à televisão local Mega que tinha "muito respeito" pelo seu homólogo alemão, mas que discordava dele em vários aspetos, não confiando na Alemanha - o Executivo helénico mantém um discurso confiante e otimista. 

O primeiro-ministro Alexis Tsipras voltou esta sexta-feira a garantir que a Grécia está a fazer a sua parte no que diz respeito ao acordo com o Eurogrupo, apelando à "solidariedade" dos parceiros para o desembolso da ajuda. "A Grécia já começou a cumprir os seus compromissos assumidos na reunião do Eurogrupo de 20 de fevereiro. Estamos a fazer a nossa parte, pelo que esperamos que os parceiros façam também a sua", afirmou Tsipras, citado pela Reuters, após um encontro com o líder do Parlamento Europeu, Martin Shulz.

"Estou muito otimista numa solução, porque acredito muito que está em causa um interesse comum. Penso que este não é só um problema grego, mas um problema europeu", acrescentou.  

Após um encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o chefe do Executivo helénico seguiu o mesmo diapasão. "É altura de darem uma mensagem de esperança ao povo grego, e não só implementação, implementação, implementação, e obrigações, obrigações e obrigações. Já que somos todos europeus queremos estar juntos no futuro", afirmou Tsipras.

O Presidente da Comissão Europeia salientou, contudo, que  os progressos gregos têm sido insuficientes, manifestando-se preocupado com os atrasos em linha com a postura alemã.