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Internacional

Rússia. Relações com a UE são prioritárias nos próximos anos

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov

Alexander Nemenov / AFP / Getty Images

Apesar das tensões entre a Rússia e a União Europeia no âmbito da crise ucraniana, Moscovo considera que as relações entre as duas partes são "uma das prioridades" para a política externa russa. A informação pode ser lida num documento publicado este sábado pelo Ministério dos Assuntos Exteriores russo. 

As relações com a União Europeia (UE) vão continuar a ser uma das prioridades da política externa russa, apesar das tensões entre as duas partes no âmbito da crise ucraniana. "Apesar da complexidade do momento, as relações com a União Europeia, vizinha e maior sócio comercial, continuarão a ser uma das prioridades da política externa russa", pode ler-se num documento publicado este sábado pelo Ministério dos Assuntos Exteriores da Rússia, intitulado "Principais acontecimentos da política externa em 2014".

A crise ucraniana é destacada, no documento, como o principal exemplo de uma crise nas relações internacionais, marcada por uma grande "instabilidade" e pela "tentativa de dominação de vários Estados", que procuram sobrepor os seus interesses aos dos outros. Os Estados Unidos (EUA) e a UE são acusados pelo Ministério russo de responderem "abertamente ao golpe de Estado anticonstitucional de Kiev" e à campanha militar no leste da Ucrânia.

Nos últimos meses, a UE e os EUA impuseram fortes sanções económicas à Rússia, nos sectores bancário, energético e militar, na sequência da intervenção russa no conflito na Ucrânia. Moscovo, no entanto, nega qualquer envolvimento militar (apenas humanitário), acusando os EUA e UE de fomentarem a "instabilidade" e minarem a paz na região.

No entanto, apesar destas 'crises', a cooperação entre a Rússia e EU continuou em muitos outros campos, afirmou o ministério. Estes incluem programas de fronteira, bem como projectos conjuntos na área da ciência, tecnologia e inovação e ainda a relação mais próxima de Moscovo com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o intuito de criar um grupo de contacto para a crise ucraniana e alcançar acordos de cessar-fogo - uma cooperação que irá continuar nos próximos anos para ultrapassar a crise de segurança europeia, garantem o Ministério dos Negócios Estrangeiros. 

Estados Unidos são outra história 

Já a retomada das relações entre a Rússia e os EUA é, para Moscovo, apenas um cenário "possível". Para os russos, a deterioração das relações da Rússia com o Ocidente foi mais acentuada no caso dos Estados Unidos. Ainda assim, a Rússia considera que "será possível continuar as relações bilaterais com os Estados Unidos" caso Washington manifeste "a sua disponibilidade para o diálogo numa base de igualdade e de respeito pelos interesses mútuos", lê-se no documento.

Recorde-se que esta sexta-feira a Rússia considerou a NATO a principal ameaça à segurança nacional. Esta formulação surge após meses de tensão entre a Rússia e a NATO, em particular os EUA, no contexto da crise ucraniana. Ainda esta semana, Moscovo alertou a Aliança Atlântica para a responsabilidade de estarem a "prolongar a crise na Ucrânia" e a "promover o conflito entre a Rússia e a Ucrânia", caso a Kiev avance com uma candidatura formal de adesão à NATO.

Ainda que a renúncia do estatuto de não-alinhado da Ucrânia tenha ficado aprovada pelo Parlamento, e apesar do cancelamento das negociações de sexta-feira entre os separatistas pró-russos e o Governo de Kiev, a troca de prisioneiros - a maior desde o início do conflito ucraniano em abril - continuou este sábado. Esta madrugada, foram trocados 145 militares ucranianos por 222 rebeldes separatistas, no âmbito do acordo alcançado entre as duas partes na quarta-feira em Minsk. Também na sexta-feira foram trocados centenas de prisioneiros.