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Internacional

Rússia prepara-se para emprestar 10 mil milhões de euros à Hungria

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O Presidente russo, Vladimir Putin, foi recebido no mês passado em Budapeste pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro diz que é "o negócio do século". O empréstimo será concedido para a expansão da central de energia nuclear de Paks, mas os críticos consideram tratar-se da compra de um favor a um país da União Europeia.

A Rússia terá aceite emprestar cerca de 10 mil milhões de euros à Hungria, para a expansão da sua central de energia nuclear de Paks, segundo refere a Reuters. Um funcionário do Governo húngaro indicou à agência noticiosa que a primeira tranche da verba será concedida já este ano.

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, referiu-se ao acordo - que envolve a colaboração com a empresa de energia nuclear russa Rosatom - como o "negócio do século", enquanto o ministro das Finanças russo se recusou a tecer comentários sobre o assunto.

Inicialmente a Hungria planeara lançar um concurso para a expansão da sua única central nuclear, da qual provém 40% da eletricidade do país, e algumas empresas ocidentais manifestaram o seu interesse, assim como a Rosatom. Mas esse processo foi abruptamente posto de lado, tendo o assunto passado a ser tratado por uma pequena equipa próxima do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban. Este optou por estabelecer um contrato com a Rosatom, num negócio que inclui a concessão do empréstimo.

"Negócio Paks é uma camuflagem"

Zoltan Illes, antigo deputado do Fidesz (partido de direita que governa a Hungria) e secretário de Estado do Ambiente até 2014, considera que "este negócio de Paks é uma camuflagem". Acrescenta, em declarações à Reuters, que "isto é uma transação financeira, e para os russos é uma compra de influência" junto de um país da União Europeia.

Critico do recurso à energia nuclear, Illes acredita que o acordo se destina, sobretudo, a injetar dinheiro na economia da Hungria até às eleições de 2018, nas quais o polémico Viktor Orban tentará ser reeleito.

No mês passado, o primeiro-ministro húngaro recebeu o Presidente russo em Budapeste, tendo sido a primeira vez que um país da União Europeia convidou Vladimir Putin para uma visita oficial desde que o avião da Malaysian Airlines foi abatido na Ucrânia em julho de 2014, alegadamente com armas fornecidas por Moscovo aos rebeldes separatistas pró-russos do leste ucraniano.

Orban tem criticado a posição de afastamento do Ocidente em relação à Rússia, considerando que a União Europeia está iludida se pensa que vai conseguir avançar sem a cooperação com o Kremlin.