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Rússia não vai dar o que a Grécia não pediu

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FOTO EPA

Vladimir Putin diz que o auxílio à Grécia será a nível de cooperação económica, não incluindo empréstimos. E Alexis Tsipras fala no estabelecimento de acordos para os próximos dois anos, que trouxeram a "primavera" à relação entre os dois países.

"A Grécia não nos pediu ajuda", afirmou esta quarta-feira de tarde o Presidente russo Vladimir Putin, em resposta a uma pergunta sobre se o seu país poderá vir a substituir o FMI nos empréstimos concedidos até agora ao Estado grego.

"Não estou a falar sobre ajuda, mas antes de cooperação económica, que poderá gerar lucros que ajudarão a resolver a situação da Grécia", referiu ainda Putin na sua resposta, durante a conferência imprensa conjunta com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, em Moscovo, que esta quarta-feira está no primeiro de dois dias da sua visita à Rússia.

"As nossas relações passaram por um período de constrangimentos", afirmou por seu turno Tsipras, referindo que os acordos que os dois países acabam de firmar abrem uma nova fase no seu relacionamento. "Hoje é um grande dia para a Grécia e para a Rússia (...) Temos a primavera nas nossas relações", acrescentou Tsipras.

A conferência começou com os dois líderes e os ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos os países a assinarem acordos de cooperação a levar a cabo durante 2015 e 2016 e que incluem a construção de condutas de gás da fronteira da Turquia até à Grécia.

O levantamento de sanções económicas aos produtos agrícolas gregos foi um dos elementos incluídos nos acordos, que não foram apresentados em detalhe, mas que incluem ainda o aprofundamento das relações na área do turismo (a Grécia é o maior destino de lazer dos russos no estrangeiro) e de investimentos em diversos sectores.

O Presidente russo disse compreender que a Grécia teve de votar a favor de sanções da União Europeia contra a Rússia, que deram origem a contrassanções e  levaram ao declínio das relações comerciais entre Moscovo e Atenas no ano passado, mas que acredita que essa fase terá agora ficado para trás.

Tsipras fala em relações externas muiltifacetadas e no risco de uma nova Guerra Fria

Putin afirmou ainda que caso venha a ocorrer a privatização de empresas gregas, espera que o seu país tenha as mesmas oportunidades para a sua aquisição.

Sobre a necessidade de financiamentos para o seu país, Tsipras disse que os problemas económicos que a Grécia atravessa se inserem numa "crise europeia, não grega" e que por isso "deve ser encontrada uma solução europeia"

Relativamente às críticas dos seus parceiros da União Europeia sobre esta sua visita oficial à Rússia, o primeiro-ministro disse que têm de compreender que a Grécia é "um Estado soberano" com relações externas "multifacetadas".

Quanto às sanções da União Europeia à Rússia, Tsipras disse tratar-se de "sanções ilógicas", que não apoiaram totalmente e acabaram por infligir "grande dor à economia grega". Afirmando mesmo que esse caminho poderá vir a dar lugar a uma "nova Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente".

Depois do encontro desta quarta-feira com o Presidente Putin, na quinta-feira Tsipras irá reunir-se com o seu homólogo russo, Dimitri Medvedev.