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Rússia diz que assassínio de Nemtsov "está a ser investigado com todo o empenho"

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Denis Balihouse/Reuters

Um dia depois de dezenas de milhares de pessoas terem marchado em Moscovo em memória de Boris Nemtsov, o opositor político assassinado na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo declarou esta segunda-feira, perante a ONU, que foi criado um comando especial para a investigação.

"Esse crime vil está a ser investigado com todo o empenho para garantirmos que os responsáveis serão levados perante a Justiça", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, esta segunda-feira perante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, sobre o assassínio do líder da oposição Boris Nemtsov, mortalmente alvejado numa rua de Moscovo na sexta-feira.

O ministro russo disse que o Presidente Vladimir Putin deu instruções imediatas para que o crime fosse investigado e que foi criado um comando especial para a investigação, considerando estar a haver um aproveitamento político da "tragédia".

Declarações que surgem em sequência de fortes pressões em torno do caso. Logo na sexta-feira o Presidente norte-americano, Barack Obama, condenou o assassínio de "um defensor incansável do seu país" e pediu uma "investigação rápida, imparcial e transparente".

Posição reforçada no domingo pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que em declarações à televisão ABC afirmou que os Estados Unidos esperam que a investigação se debruce "não apenas sobre quem de facto disparou, mas sobre se alguém ordenou ou esteve por detrás" do assassínio.

Kasparov fala no fim da esperança de uma transição pacífica

Entretanto, o antigo campeão de xadrez e opositor russo a viver nos Estados Unidos, Garry Kasparov disse que o crime retirou as esperanças de que o regime de Putin dê espaço para uma transição política pacifica.

"Boris esperava, em vão e nós compreendemos, ver alguma forma de transição pacífica para um Governo normal civilizado e democrático (...) Eu não vejo qualquer hipótese de que a Rússia se mova agora da ditadura brutal de Putin para algo que seja sequer tão suave como o que nós tínhamos há dez anos", declarou Kasparov numa entrevista à agência Reuters.

Declarações que foram proferidas no domingo, dia em que a manifestação de protesto, que Boris Nemtsov ajudara a promover, acabou por ser transformada numa marcha em sua homenagem que juntou dezenas de milhares de pessoas em Moscovo.

Antigo vice-primeiro-ministro russo durante a presidência de Boris Yeltsin nos anos 1990, Nemtsov foi morto a tiro na sexta-feira à noite quando caminhava numa rua de Moscovo, próximo do Kremlin, acompanhado pela sua namorada ucraniana, Anna Duritskaya, que ainda se encontrava esta segunda-feira a ser interrogada pela polícia russa.

"Eu não compreendo porque ainda estou em território russo", declarou Duritskaya a uma televisão independente russa.

A polícia alega que está a detê-la por motivos de segurança. O seu advogado declarou que as autoridades estão a "agir corretamente".