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Internacional

Rússia convoca reunião de emergência para suspender ataques aéreos no Iémen

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Mohammed Huwais/AFP/GETTY

O governo russo pretende encontrar uma resolução diplomática que obrigue à suspensão dos ataques aéreos da coligação liderada pela Arábia Saudita. 

Helena Bento

Jornalista

A Rússia convocou para este sábado uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Nações Unidas para encontrar uma resolução que obrigue à suspensão dos ataques aéreos da coligação liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes houthi no Iémen, referiu Alexey Zaytsev, porta-voz da missão, citado pelo "Independent".  

A reunião foi marcada para as 11h00 (16h00 em Lisboa). O governo de Moscovo pretende chegar a uma resolução diplomática do conflito, sem recorrer a uma intervenção militar estrangeira que, defende, colocaria em causa a vida de mais civis. 

A coligação liderada pela Arábia Saudita, de que fazem parte países como o Qatar, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Jordânia, anunciou na passada quinta-feira ter iniciado uma série de bombardeamentos em ataques que procuram fazer recuar os rebeldes houthi (xiitas), que conquistam terreno desde setembro, defendendo assim o regime do Presidente iemenita Abdu Mansour Hadi, deposto pelos rebeldes e forçado a fugir do país. Ao fim de uma semana, os ataques continuam.  

Esta sexta-feira o ministro adjunto dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Bogdanov, encontrou-se com o novo embaixador saudita na Rússia, Abdulrahman al-Rassi. De acordo com um comunicado que o ministro fez circular, o embaixador saudita "insitiu na necessidade de pôr fim às atividades militares e resolver os conflitos internos no Iémen, recorrendo ao diálogo e a outros meios pacíficos".  

A Rússia já procedeu à evacuação de todos os seus funcionários do consulado no Iémen, que ficou destruído durante o conflito. Além disso, prepara-se também para evacuar cidadãos russos e outros civis do país.   

Coligação planeia entregar armas aos apoiantes do presidente Hadi

Entretanto as milícias houthi que haviam ocupado o palácio presidencial na cidade de Aden já abandonaram o local, a isso obrigadas devido aos ataques aéreos que, além de outras consequências, destruíram o seu equipamento militar. 

Ao mesmo tempo, a coligação liderada pela Arábia Saudita planeia fazer chegar armas aos apoiantes do presidente Hadi em Aden, segundo afirmou o general Ahmed Assiri, porta-voz da coligação: "Não precisamos de ter pressa. A campanha tem alcançado os seus objetivos, como pode ser comprovado todos os dias", referiu o general, citado pelo "Independent".

A Arábia Saudita tem negado a existência de tropas no terreno, no entanto, o embaixador saudita nos Estados Unidos, que falava num evento em Washington, disse que esse tópico, que se traduz no uso, ou não, de tropas, "continua em cima da mesa". 

As Nações Unidas estimam que mais de 500 pessoas, maioritariamente civis, tenham morrido nas últimas duas semanas no Iémen. Embora a maioria dos ataques aéreos vise instalações militares, depósitos de armas e determinadas infraestruturas, muitos civis foram já atingidos. Dezenas de milhares abandonaram entretanto o país.