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Responsável pelas fronteiras na UE diz que salvar vidas dos migrantes não deve ser a prioridade

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Getty

Discordando de grande parte das 10 medidas de ação imediata que vão estar em cima da mesa esta quinta-feira, na cimeira extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, o responsável pelo controlo de fronteiras na União Europeia diz que será contraproducente transformar as patrulhas em missões de busca e salvamento de migrantes.

Salvar as vidas dos migrantes no Mediterrâneo não deve ser a prioridade das patrulhas marítimas, afirmou Fabrice Leggeri, responsável pelas instituição da União Europeia que coordena as várias guardas fronteiriças (Frontex), citado pelo "The Guardian". As declarações acontecem na véspera da cimeira dos chefes de Estado e de Governo, que esta quinta-feira vão debater 10 medidas de ação imediata, que surgem após mais um naufrágio no Mediterrâneo, no passado fim de semana, estimando-se que tenham morrido 800 pessoas que tentavam chegar ao continente europeu num barco insuflável superlotado.

"Triton [operação de controle fronteiras conduzida por Itália, com a colaboração das forças de outros Estados da UE] não pode ser uma operação de busca e salvamento. No nosso plano operacional, nós não podemos ter provisões para ações proativas de busca e salvamento. Esse não é o mandato do Frontex e isto não cabe, no meu entendimento, no mantado da UE", disse Leggeri ao jornal britânico.

As declarações do responsável pelo Frontex contrariam a perspetiva do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que dissera que a "prioridade é impedir que mais pessoas morram no mar". Leggeri discorda da colocação de mais navios da UE junto à costa Líbia para salvar migrantes, considerando que tal irá incentivar um maior número a aventurar-se no mar.



"Nós não devemos apoiar e alimentar o negócio dos traficantes [de seres humanos](...) O que aconteceu no passado foi que os traficantes estão seguros que os barcos europeus estão a patrulhar muito próximo da costa líbia. Então, os traficantes usam essa oportunidade para anunciar e dizer aos potenciais migrantes 'vocês vão de certeza chegar à costa europeia, é muito fácil, porque os barcos europeus estão a patrulhar não muito longe da costa líbia, por isso saltemos para o mar e vocês vão ver os barcos europeus em breve'", comentou Leggeri.

No ano passado, a operação Mare Nostrum foi substituída pela Triton, que dispõe de menos meios. Leggeri frisou que a operação Triton ainda não dispõe dos meios que foram prometidos no ano passado, nomeadamente apoio aéreo.

"Aviões podem detetar, podem transmitir informação para os centros de busca e salvamento de Itália, de Malta, ou mesmo da Tunísia (...). Podem ajudar-nos a salvar tempo. Nós podemos detetar e nós podemos antecipar as situações de risco."