Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Responsável pela retirada de presos de Guantánamo demite-se

Getty

Clifford Sloan expressara a sua frustração pela demora no processo de transferência de presos de Guantánamo. A notícia da sua demissão é especialmente inesperada por surgir um dia depois de Obama ter prometido acelerar o processo para o encerramento da prisão militar norte-americana em Cuba.  

O enviado do departamento de Estado norte-americano responsável pelas negociações para a transferência de presos da prisão de Guantánamo, Clifford Sloan, apresentou a sua demissão, declararam na segunda-feira entidades oficiais citadas pela agência Reuters.

O anúncio foi especialmente inesperado por ocorrer um dia depois de o Presidente Barack Obama ter prometido acelerar o processo para o encerramento da prisão militar norte-americana em Cuba.

Clifford Sloan, que assumira o cargo em junho de 2013, manifestara a sua frustração com a lentidão do processo, segundo indicaram responsáveis do departamento de Estado e da Casa Branca.

As divergências em torno do processo de transferência de presos estiveram relacionadas com o facto do secretário de Estado da Defesa, Chuck Hagel, se ter demitido no mês passado.

O secretário de Estado, John Kerry, declarou que a "perícia negocial" de Sloan levou à transferência de 34 presos e a outras mais que estão em processo de se concretizarem.

132 detidos em Guantánamo

Atualmente encontram-se 132 pessoas detidas em Guantánamo e até ao final do ano é esperado que se concretizem mais transferências, podendo esse número descer até aos "dois dígitos" à medida que, nas próximas semanas, ocorram mais transferências, envolvendo "várias nacionalidades", indicou um alto responsável norte-americano à Reuters.

Graças à pressão criada por Sloan, foram concretizados acordos que levaram à repatriação de quatro afegãos na semana passada e à transferência de seis presos para o Uruguai em meados deste mês. Mas ambos os acordos sofreram demoras no Pentágono, que tem de dar a aprovação final.

Um dos motivos que levaram à demissão de Sloan terá sido o facto de considerar que o Pentágono não tem estado empenhado em acelerar o processo, referiu ainda o alto responsável norte-americano.

No processo de transferências, encontrou ainda a oposição do Congresso norte-americano que impediu que presos sejam recolocados em prisões situadas nos Estados Unidos.

A demissão irá concretizar-se a 31 de dezembro e embora não deva afetar os processos já acordados, poderá ter impacto nos processos futuros.

Barack Obama ainda não decidiu quem irá substituir Sloan.

Obama diz que Guantánamo "inspira jiadistas"

Na entrevista concedida à CNN no domingo, o Presidente norte-americano afirmou que tenciona fazer "tudo ao seu alcance" para fechar Guantánamo, considerando que manter a prisão aberta continuará a "inspirar jiadistas".

O seu antecessor, George W. Bush, abriu a prisão de Guantánamo em sequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001. A maior parte dos detidos permaneceram em Guantánamo durante mais de uma década sem serem julgados ou sequer alvo de acusação.

Nos processos relativos aos atuais detidos, relativamente a 64 já houve autorização para que saiam de Guantánamo, mas ainda não foi encontrada solução relativamente à forma de os recambiar para os seus respetivos países ou de encontrar outros países que os aceitem.