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Internacional

Republicanos avisam que será simples travar plano de relações dos EUA com Cuba

O líder dos republicanos, Mitch McConnell, diz opôr-se aos planos de Barack Obama para normalizar a relação bilateral com Cuba, após 50 anos de hostilidades.

Não é novidade a oposição dos republicanos à intenção de Washington reatar as relações com Havana, nem tão pouco o facto de a mudança do cenário político norte-americano em 2015 - com o controlo das duas câmaras por parte do partido republicano - poder dificultar os planos de Obama. Na segunda-feira, o senador Mitch McConnell admitiu mesmo, em entrevista à Reuters, que há "formas bastante óbvias" de travar a pretensão da administração americana.

Além do Congresso poder eliminar algumas das barreiras nas relações com Havana, Mitch McConnell lembrou que o Senado terá, por sua vez, de aprovar o envio de um embaixador norte-americano para Cuba. Mas é o eventual levantamento do embargo económico que Washington impôs a Havana em 1962, que mais preocupa os republicanos. Bem como os direitos humanos no país.

"Veja-se, por exemplo, o Vietname. Nós normalizámos as relações com o país que tem um regime comunista e continua a reprimir as pessoas. Às vezes o compromisso resulta, outras vezes não", defendeu Mitch McConnell à Reuters. 

Ameaças republicanas 

O líder dos republicanos diz ainda estar de acordo com os maiores críticos da nova política dos EUA relativamente a Cuba, como o senador republicano Marco Rubio da Flórida. Rubio acusou "a Casa Branca de ter cedido muito e exigido pouco", sobretudo, ao nível da liberdade de expressão, liberdade de imprensa e sistema eleitoral,  e o senador democrata de Nova Jérsia, Robert Menendez, que considerou que a aproximação dos dois países é um "verdadeiro erro".

Tendo como panorama as eleições presidenciais em 2016, McConnell aproveitou ainda a entrevista para condenar o ataque informático à Sony Corp, garantindo que foi "mais grave" do que um ato de vandalismo, tal como Obama classificou o ciber-ataque.

O senador republicano revelou ainda que discutiu com o Presidente norte-americano  a possibilidade de o governo avançar com uma reforma na legislação, com vista a possibilitar mais apoios para as pequenas e médias empresas (PME), em linha com os grandes grupos.

No passado dia 16 de dezembro, Barack Obama anunciou o passo histórico dos EUA começarem a normalizar as relações com Cuba, após mais de meio século de hostilidades entre os dois países.

A secretária de Estado adjunta dos EUA para a América Latina, Roberta Jacobson, deverá deslocar-se a Havana já no início de 2015, enquanto John Kerry disse também estar a planear uma visita à ilha, sem data prevista ainda. Já Barack Obama afasta para já uma visita a Cuba, embora admita que poderá receber Raúl Castro em Washington.