Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Relatório sobre tortura na CIA obriga a reforço de segurança

O documento releva pormenores sobre as técnicas de tortura usadas em membros da Al-Qaeda, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

LARRY DOWNING/REUTERS

O documento, elaborado pela Comissão de Serviços Secretos do Senado, revela pormenores inéditos sobre as técnicas de tortura usadas em membros da Al-Qaeda. Temendo as consequências das revelações, a Casa Branca anunciou reforço de segurança para embaixadas e bases americanas.  

O Senado americano prepara-se para divulgar um relatório sobre a tortura na CIA durante os interrogatórios a suspeitos de terrorismo, após os atentados de 11 de setembro de 2001. A Casa Branca anunciou reforço de segurança para embaixadas e bases americanas, receando as consequências das revelações. 

O documento de seis mil páginas, elaborado pela Comissão de Serviços Secretos do Senado, revela pormenores inéditos sobre as técnicas de tortura usadas em membros da Al-Qaeda detidos em instalações secretas na Europa e na Ásia, depois dos atentados contra o World Trade Center e o Pentágono, e deverá ser divulgado esta terça-feira.

"Há algumas indicações de que a divulgação do relatório poderá pôr em risco instalações americanas e indivíduos em todo o mundo", disse Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca, citado pela Associated Press. "O Governo tomou medidas prudentes para garantir que as devidas precauções de segurança estão a ser adotadas em todas as bases americanas".

Steven Warren, coronel do Exército norte-americano, e porta-voz do Pentágono, admitiu, também citado pela AP, a possibilidade de a divulgação do relatório causar "agitação", razão pela qual os comandos de combate foram aconselhados e instruídos no sentido de adotar medidas "medidas protetivas".

 

Método de extração de informações

O relatório, da autoria da senadora democrata Dianne Feinstein, detalha novos pormenores sobre os métodos controversos usados pela CIA para extrair informações - "privação de sono, humilhação, isolamento e 'waterboarding'", técnicas que o Presidente norte-americano, Barack Obama, classificara já de tortura - e revela pormenores sobre as vários interrogatórios que falharam.

Segundo Josh Earnest, porta-voz, Barack Obama acredita que o uso destas técnicas - "incompatíveis com os valores americanos" - foi "injustificado" e não se refletiu em mais segurança.

A Casa Branca, através do secretário de Estado, John Kerry, tentou convencer a senadora Dianne Feinstein a adiar a publicação do relatório, alegando a possibilidade de ameaças contra cidadãos americanos, mas sem resultados.

Em entrevista à CNN, o republicano Mike Rogers, que lidera o comité de serviços secretos da Câmara dos Representantes, contou que os serviços secretos e governos estrangeiros revelaram em privado que este relatório iria ser usado pelos extremistas para "incitar a violência", e que isso iria "custar vidas".