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Reino Unido: deputado liberal não quer repetir aliança com conservadores

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Na opinião de Andrew George, "já chega" de coligação de centro-direita

Getty Images

Andrew George, que disputa a reeleição com um conservador, diz que o partido está farto do pacto com David Cameron. Sondagens dizem que ninguém terá maioria absoluta.

A 17 dias das eleições legislativas no Reino Unido, crescem as dúvidas sobre a viabilidade de os partidos conservador e liberal democrata repetirem a coligação de Governo que vigora desde 2010, não sem tensões. Se as sondagens já indicavam que dificilmente as duas formações somarão uma maioria absoluta no Parlamento, agora um deputado liberal assegura que a aliança termina já a 7 de maio, dia da votação.

Andrew George, eleito sucessivamente pelos liberais democratas desde 1997, concorre à reeleição pelo círculo eleitoral de Saint Ives, onde o seu mais direto adversário é, precisamente um conservador. Na opinião de George, "já chega" de coligação de centro-direita. "Os conservadores não iam querer e estou certo de que o meu partido não aceitaria", garante. O primeiro-ministro David Cameron, conservador, tem dito que quer lutar pela maioria absoluta. As sondagens indicam que ninguém a obterá.

Sabendo-se que muitos liberais são e foram contra a coligação - que os obrigou a quebrar inúmeras promessas eleitorais e, para os mais à esquerda, traiu o próprio ideário do partido -, é a primeira afirmação oficial desta contundência. O líder do partido, Nick Clegg, tem afirmado que os liberais tanto poderão coligar-se com os conservadores como com os trabalhistas, dependendo de quem for o mais votado.

O perigo da intoxicação

Foi essa postura que levou Clegg a privilegiar os conservadores em 2010, após uma eleição sem maioria absoluta. Assim, tornou-se vice-primeiro-ministro em 2010. Mas Andrew George considera que foi um erro: "Quando entrámos nisto, não havia dúvidas de que fazer uma coligação destas em 2010 iria intoxicar os liberais democratas". E explica: "Quando o partido simpático faz uma aliança de qualquer tipo com o partido antipático, tende a ficar intoxicado, mas nós sentimos que estávamos a fazê-lo a bem do país e não a bem do partido".

George confesa: "Sabíamos que iria fazer mal ao nosso país". E diz que foi dos que acharam que Clegg se aliou ao conservador David Cameron "depressa de mais e demasiado a fundo". Para George, em cuja campanha Clegg participará esta segunda-feira, é melhor não haver "acordos de sala dos fundos". Não havendo maioria, os partidos devem exprimir as suas posições no Parlamento, envolvendo todas as correntes políticas na discussão.