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Recolhido ADN de mais de metade dos passageiros do avião da Germanwings

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FOTO JEAN-PIERRE CLATOT/AFP/Getty Images

O procurador-geral de Marselha desmentiu a notícia avançada ontem pelo jornal alemão "Bild" que referia que já tinham sido identificados os restos mortais do copiloto Andreas Lubitz. Paralelamente têm sido feitos vários apelos no sentido de não se fazerem julgamentos prévios na praça pública, uma vez que ainda não há conclusões sobre o acidente.

Ao contrário do que se pensava inicialmente está a ser mais fácil proceder à recolha de ADN dos passageiros do avião da Germanwings. Os especialistas forenses já recolheram amostras do material genético de 78 ocupantes do Airbus A320, que se despenhou na terça-feira nos Alpes franceses, mas ainda não foi identificado nenhum passageiro, anunciou este domingo o procurador-geral de Marselha, Brice Robin.

O responsável desmentiu assim a notícia avançada ontem pelo jornal alemão "Bild" que referia que já tinham sido identificados restos mortais do copiloto Andreas Lubitz. "Neste momento ainda não foi identificado nenhum passageiro, essa operação será efetuada em Paris através da análise e comparação das amostras recolhidas no local do acidente e as amostras entregues por familiares das vítimas", declarou Brice Robin.

Pelo sexto dia consecutivo, as operações de busca pelos restos mortais dos passageiros prosseguem nos Alpes franceses com uma equipa constituída por cerca de 50 elementos no local, que enfrentam como obstáculos os difíceis acessos e as condições metereológicas adversas. Mais 150 investigadores estão envolvidos no caso.



Caminho para veículos todo-o-terreno

O chefe da equipa de investigadores disse também esperar que até segunda-feira já esteja disponível um caminho para veículos todo-o-terreno para facilitar nas operações.

Entretanto, foram revelados este domingo novos dados sobre o copiloto alemão, que poderá ter feito despenhar intencionalmente o avião da Germanwings, segundo as primeiras investigações. O jornal "Bild" refere que Andreas Lubitz sofria de deslocamento da retina, receando perder a visão, enquanto o jornal "Die Welt" escreve que o piloto estava a ser acompanhado por vários neurologistas e psiquiatras.

Quando à gravação da caixa negra, o "Bild" avançou também que se ouvem palavras de despero do comandante que se ausentou por momentos do cockpit. "Por amor de Deus, abre a porta. Abre a maldita porta", terá gritado o piloto instantes antes da tragédia.

De acordo com o mesmo jornal, o comandante deverá ter tentado derrubar a porta do cockpit - que se encontrava bloqueada do lado de dentro - com um objeto metálico.



Apelos para fim dos julgamentos prévios

Paralelamente têm sido feitos vários apelos no sentido de não se fazerem julgamentos prévios na praça pública, uma vez que ainda não há conclusões dos inquéritos. Depois do chefe do departamento de investigação criminal francês, Jean-Pierre Michel, ter garantido que não estava excluída "nenhuma hipótese", o procurador-geral de Marselha disse que o mais correto por enquanto é falar em "homicídio involuntário".

Neste sábado, a Associação de Pilotos alemães também frisou que as razões do acidente só podem ser determinadas depois de serem analisados todos os dados. Também a Agência Europeia de Segurança Aérea argumentou nesse sentido, frisando que muitas questões continuam por obter resposta.  Já a Associação Europeia de Pilotos considerou que a divulgação dos registos aúdio da caixa negra do avião constituiu uma "grave violação" das normas aceites.



O Airbus A320, que fazia a ligação entre Barcelona e Düsseldorf, despenhou-se na terça-feira nos Alpes franceses com 144 passageiros e seis tripulantes a bordo.