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Raúl Castro. Obama "não é responsável" por políticas que o antecederam

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Mandel Ngan / AFP / Getty Images

O Presidente cubano elogiou o homólogo norte-americano, classificando-o como um "homem honesto" e retirando-lhe qualquer responsabilidade pela política seguida em relação a Cuba pelos Presidentes que o antecederam. E apelou ao fim do embargo norte-americano a Cuba, durante o seu discurso na Cimeira das Américas.

Ao discursar este sábado na Cimeira das Américas, na cidade do Panamá, para os 34 líderes dos países do continente americano, o Presidente cubano afirmou, com convicção: "O Presidente Obama é um homem honesto". E desresponsabilizou o seu homólogo norte-americano pela política em relação a Cuba seguida pelos "10 Presidentes" que o antecederam.  

O elogio a Barack Obama veio acompanhado por um apelo à resolução do embargo norte-americano imposto em 1962 à ilha, uma decisão que depende do Congresso dos Estados Unidos. Raúl Castro sublinhou, assim, que consideraria "um passo positivo" uma "decisão rápida" sobre a retirada de Cuba da lista norte-americana que classifica os países que apoiam o terrorismo.  

"Quando falamos de revolução, transpiro paixão", afirmou este sábado o líder cubano, surpreendendo os presentes. "Tenho que pedir perdão ao Presidente Obama. Ele não é responsável pelas políticas da Guerra Fria ou pelo bloqueio". 

Iniciada esta sexta-feira à noite (na madrugada de sábado, em Lisboa), a Cimeira das Américas teve, na sua sessão inaugural, um aperto de mão simbólico entre Raúl Castro e Barack Obama, que ficou registado em fotografia.  

Os dois Presidentes - que anunciaram uma aproximação histórica entre Washington e Havana em dezembro do ano passado - irão ainda reunir-se este sábado à margem da cimeira, naquele que será o primeiro encontro entre um Presidente cubano e um norte-americano desde 1958. 

Já antes, Obama havia dito que "esta mudança na política dos estados Unidos é um ponto de viragem para a região". "O facto de o Presidente Castro e eu estarmos os dois aqui hoje sentados marca um momento histórico", afirmou, sublinhando que, ainda assim, continuam a existir diferenças significativas entre os dois países. 

Apesar disso, e num fórum de líderes da sociedade civil, à margem da cimeira, Barack Obama declarou: "Respeitamos as diferenças entre os nossos países. Os dias em que a nossa agenda neste hemisfério tão frequentemente presumia que os Estados Unidos podiam interferir com impunidade... esses dias pertencem ao passado".