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Randall Miller é o primeiro realizador a ser condenado por causa de uma acidente mortal durante filmagens

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A justiça americana condenou o realizador de "Midnight Rider" a dois anos de prisão efetiva e oito em liberdade condicional pela morte da sua assistente Sarah Jones durante as filmagens. O último caso destes a chegar a tribunal aconteceu há mais de 30 anos.

Um ano depois da trágica morte de Sarah Jones num acidente durante as filmagens de "Midnight Rider", o seu patrão, o realizador Randall Miller, declarou-se culpado pelo homicídio involuntário da sua assistente, uma jovem de 27 anos que morreu atropelada por um comboio durante as filmagens.

Jody Savin, produtora da película e mulher de Miller, e Jay Sedrish, produtor executivo do filme, também foram indiciados por permitirem que a entrada do elenco na área de acesso reservado onde ocorreu o acidente.

Os pais de Sarah Jones esperam que esta sentença encoraje Hollywood a melhorar a segurança nas gravações de filmes. "Eu acredito que esta morte [Sarah Jones] significa que quem não respeita aqueles que estão ao seu encargo, acaba atrás das grades", acrescentou o pai da vítima mortal Richard Jones, à saída do tribunal, citado pelo jornal britânico "The Guardian".

A primeira condenação 

Em 1982, o realizador John Landis foi acusado de ter responsabilidades no trágico acidente de helicóptero que vitimou o Vic Morrow e três crianças que participavam nas filmagens de "Twilight Zone". A 1 de julho de 1914, Grace McHugh morreu afogada durante as filmagens de "Across the Border", um western realizado por Otis Thayer. Um dos operadores de câmera também perdeu a vida quando tentava salvar a atriz nascida em 1888.

Cem anos depois, Miller começou por dizer que não tinha qualquer responsabilidade no acidente que vitimou a sua assistente Sarah Jones. Mas esta terça-feira, na sequência de um acordo feito com o Ministério Público do estado norte-americano da Georgia, declarou-se culpado perante o tribunal; o acordo estabelece o pagamento [por Miller] de uma multa de 20 mil dólares (18 mil euros), o cumprimento de 360 horas de serviço comunitário, e a retirada das acusações que co-responsabilizam a sua mulher e Jay Sedrish pelo acidente.

O cineasta também está proibido de exercer quaisquer atividades fílmicas que incluam responsabilidade e segurança pelo elenco nos próximos dez anos. As filmagens de "Midnight Rider", uma adaptação cinematográfica da vida do cantor norte-americano Gregg Allman, protagonizado pelo ator William Hurt, foram  suspensas logo depois do acidente. 

Filmagens num local sem permissão

As acusações de que o realizador e produtores do filme foram alvos surgem depois de todo o elenco se ter deslocado para uma ponte férrea, sob o rio Altamaha, na Georgia, um local onde não tinham permissão para filmar. De acordo o "The Guardian", o acidente ocorreu logo no primeiro dia de gravações do filme e o elenco estava a preparar-se para as filmagens quando um comboio atropelou Sarah Jones, a assistente de câmara de "Midnight Rider".

Segundo John Johnson, procurador responsável pelo caso, citado pela revista "Variety", o realizador sabia que aquela linha férrea era "utilizada" e que havia a possibilidade de aparecerem comboios. O cineasta admitiu que tanto ele como a sua equipa sabiam que a linha férrea era usada, embora lhe tivessem dito que "apenas" passavam dois comboios por dia. Segundo o "The Guardian", o elenco foi avisado de que se aparecesse algum comboio, teria 60 segundos para abandonar o local.

De acordo com o "The Guardian", Miller referiu ainda no tribunal que não obteve a permissão escrita para se deslocarem para a linha férrea porque não era esse o "seu trabalho".

Este acidente trágico deu origem a um movimento na comunidade cinematográfica dos Estados Unidos, que apela à melhoria das medidas de segurança durante as filmagens de filmes. Atores como Anna Faris, Allison Janney, Paul Dano e Heather Locklear apoiaram esta iniciativa.