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Rajoy admite alterações à Constituição espanhola

EPA

Primeiro-ministro espanhol diz que só aceitará "pequenos ajustes" à Constituição desde que não ameacem a unidade e a soberania nacional.

O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, garantiu este sábado que só admite uma revisão constitucional para algumas alterações "muito concretas" que não coloquem em causa a unidade nacional, sublinhando que as prioridades do país são a recuperação económica e o combate à corrupção.

"Só concordaria em reformar algum aspeto ou outro muito concreto da Constituição, ou seja pequenos ajustes, e sempre e quando o partido o socialista estiver disposto a cumprir a palavra. Estou aberto a mudanças que não afetem a unidade de Espanha, a soberania nacional, a  igualdade e os direitos dos espanhóis. É nisso que acredito", afirmou Rajoy no Congresso dos Deputados, durante a cerimónia dos 36 anos da Constituição. 



As declarações do primeiro-ministro espanhol e líder do Partido Popular (PP) surgem numa altura em que ocorre um debate interno sobre a questão, na sequência da consulta popular sobre a independência da Catalunha, e quando o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) pede uma alteração ao artigo da Constituição que garante a estabilidade orçamental.

"Não se pode banalizar. Três anos depois, não faz sentido que a parte que teve a iniciativa [o PSOE] nos diga que essa reforma já não é válida. Há que saber o que se quer e cumprir os acordos. A palavra é para cumprir", acrescentou.

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, elogiou por sua vez "todos aqueles que se mobilizaram pela paz, o consenso e o progresso em Espanha com o pacto constitucional, defendendo contudo que é essencial reformá-la volvidas quase quatro décadas.

"A melhor forma de defender a Constituição é atualizá-la e adaptá-la ao século XXI. Estou convencido de que caminharemos para uma reforma constitucional, pelo que vou continuar a tentar convencer o primeiro-ministro", declarou.

Mariano Rajoy reiterou ainda que continua disposto a dialogar com o Presidente da Catalunha, Artur Mas, mas que não cederá à pretensão de questionar a unidade nacional. "Estou sempre disponível, mas é difícil, se o que ele [Mas] quer é sair de Espanha", lamentou.

No passado dia 9 de novembro, mais de 80% dos catalães disseram 'sim' à independência da região numa consulta popular informal, que contou com a  oposição de Madrid.