Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Putin reaparece. "A vida seria chata sem rumores"

  • 333

O Presidente russo reapareceu esta manhã em São Petersburgo, para uma reunião com o seu homólogo do Quirguistão, Almazbek Atambaiev, depois de 10 dias de ausência pública

Anatoly Maltsev/Reuters

Dez dias "fora das luzes" deram tempo ao Presidente russo para ser pai, sofrer um golpe de Estado, estar doente, ter feito uma operação plástica que correu mal, morrer e muito mais. Ao que parece, porém, nada disso foi verdade. Putin não só está bem de saúde como já teve tempo de ordenar a deslocação militar de 40 mil soldados para o Ártico.

Afinal Vladimir Putin não está doente, não sofreu um golpe de estado, não está na Suíça com a sua filha recém-nascida nem anda a cavalgar de tronco nu. O Presidente russo reapareceu esta segunda-feira em São Petersburgo, para uma reunião com o seu homólogo do Quirguistão, depois de 10 dias sem ser visto em público.

Alguns esperavam que o "regresso" do Presidente do maior país do mundo fosse mais dramático e que envolvesse cavalos brancos e música de orquestra. No entanto, Putin limitou-se a entrar calmamente na sala de reuniões onde já se encontravam dezenas de jornalistas e o Presidente do Quirguistão, Almazbek Atambaiev, a quem apertou a mão, sorrindo para as câmaras. O único comentário que Putin fez à sua longa ausência foi: "A vida seria chata sem rumores".

Ainda agora reapareceu, mas já está a tomar medidas que abalam o mundo. Antes da reunião com Atambaiev, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, anunciou que Putin ordenara a realização de manobras militares maciças no Ártico, na zona fronteiriça com a Noruega (país membro da NATO). Para que não se perca tempo, já decorre a mobilização de 40 mil soldados, 50 navios e submarinos e 110 aviões para os treinos no Ártico.

A ausência de Putin deu asas às imaginações mais férteis e alimentou várias especulações do que poderia ter acontecido ao homem que nos últimos tempos tem marcado as agendas mediáticas de todo o mundo. Para ajudar à "festa", a data do seu desaparecimento coincidiu com o aniversário da morte de Estaline, líder da União Soviética, que morreu a 5 de março de 1953.

O Expresso reuniu as conspirações mais ilustres do desaparecimento de Vladimir Putin que circularam nas redes sociais nos últimos dias:

Putin está doente

RT: @bangkokdave Apparently the rumor that Putin's had a stroke is true. Here's an exclusive photo pic.twitter.com/KXli9RrCO0"

— ela orleans (@elaorleans) March 16, 2015

Uma das primeiras teorias a surgir nas redes sociais foi gerada por uma notícia da agência Reuters, onde se lia que o Presidente adiara uma viagem ao Cazaquistão devido a problemas de saúde. Mas o Kremlin depressa desmentiu este facto numa rádio moscovita, pela voz de Dimitry Peskov. O porta-voz de Putin explicou que ele estava "de perfeita saúde" e que o seu aperto de mão "é tão forte que poderá quebrar mãos".

Peskov afirmou ainda que o Presidente russo estava ausente porque andava com "muito trabalho de escritório" e atribuiu as notícias especulativas à proximidade da primavera, que, aparentemente, "deixa algumas pessoas com crises".

Putin foi pai

Leaked picture suggests Putin is a father again and may be hiding out in the Flemish countryside @johnsweeneyroar pic.twitter.com/5EjN6ogc4s

— Otto English (@Otto_English) March 14, 2015

Na sexta-feira passada o jornal suíço "Blick" tinha como título "Es ist ein Madchen!" ("É uma menina"). A história desenrolava-se em torno da alegada paternidade de Putin que, segundo o jornal, tirara férias para estar ao lado da sua amante Alina Kabaeva, uma ex-ginasta olímpica com metade da sua idade.

Contudo, segundo o Kremlin, esta também não foi a razão da sua ausência. Peskov deslumbrou mais uma vez com os seus comentários em relação ao assunto, e prometeu organizar um concurso para "o melhor rumor nos media".

Putin sofreu um golpe de estado

Taxi service? Tanks in front of the mayor's office in #Moscow.Where is Putin? #Russia pic.twitter.com/HUeHfeamMS

— Onlinemagazin (@OnlineMagazin) March 14, 2015

O britânico "Daily Mail" publicou, este domingo, um artigo a defender a "tese" de que Putin "esta 'vivo' mas 'neutralizado' enquanto obscuros chefes de segurança encenam um golpe de Estado em Moscovo".

Na noite de sábado, dezenas de camiões e tanques circulavam à volta do Kremlin. Não se sabe a razão, mas é certo que não foi um golpe de Estado.

Putin está morto

Ukrainians bring a hope-filled tombstone to Russia's Kiev embassy #ПутинУмер #WhereIsPutin http://t.co/jHRFl6KWF8 pic.twitter.com/AujWuhAYtn

— bangkokdave (@bangkokdave) March 15, 2015

Esta é uma teoria alimentada avidamente pela população ucraniana, que festejou este fim de semana a fictícia morte de Putin em frente à embaixada russa em Kiev.

Há ainda tweets a indicar causas da "morte" que vão de envenenamentos a operações plásticas que correram "mal", demasiado judo, ou um "simples" ataque cardíaco.

Armas nucleares foram ponderadas na anexação da Crimeia O que quer que tenha sido a causa da ausência do Presidente russo, o seu parecimento deu-se um dia depois da estreia do documentário "Crimeia. Caminho de Volta a Casa", no qual Putin explica como planeou a anexação da península ucraniana, e confessa ter ponderado acionar o uso de armamento nuclear.

O documentário não estreou nesta altura por acaso. Esta semana a Rússia celebra um ano da anexação da península ao seu território, depois da fuga do deposto Presidente ucraniano Viktor Ianukovich e antes do início do conflito armado no leste do país.