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Protestos violentos em Frankfurt na abertura da nova sede do BCE

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REUTERS

Grupos de manifestantes antiausteridade atiraram pedras e incendiaram carros da polícia e caixotes de lixo junto à nova sede do Banco Central Europeu, que se mantém em Frankfurt e é inaugurada esta quarta-feira. Edifício custou 1,3 mil milhões de euros.

Milhares de manifestantes protagonizaram esta quarta-feira fortes distúrbios junto à nova sede do Banco Central Europeu (BCE) em Frankfurt, que foi inaugurada esta manhã, bloqueando ruas, atirando pedras e incendiando carros da polícia e caixotes de lixo. Pelo menos 194 pessoas ficaram feridas - 100 manifestantes e 94 polícias - e 550 manifestantes foram detidos.

Os manifestantes pertencem ao movimento antiausteridade 'Blockupy' e contestam o papel do BCE na resposta à crise europeia. "O nosso protesto é contra o BCE, como membro da troika, que apesar de não ser democraticamente eleito, faz o trabalho pelo governo grego. Nós queremos o fim das políticas de austeridade. E hoje queremos um protesto em bom som, mas pacífico", afirmou Ulrich Wilken, um dos manifestantes citado pela Reuters.  Os números relativos à adesão ao protesto na capital financeira alemã são díspares: a polícia fala em 3500 manifestantes, enquanto a organização aponta 7 mil. Para travar a situação foi mobilizado um forte contigente policial nas imediações na sede do BCE com cerca de oito mil polícias, que recorrerem a canhões de água para dispersarem os manifestantes. Alguns ativistas garantem, contudo, que também está a ser usado gás pimenta.

A porta-voz da polícia de Frankfurt, Claudia Rogalski, relatou à BBC um "clima muito agressivo", garantindo que as autoridades estavam a fazer todos os possíveis para controlar a situação. "Aconselhamos as pessoas a afastarem-se das áreas em que se concentram os manifestantes, porque a situação ainda é crítica", declarou.

Na zona da sede do BCE fica também situado o edifício da Câmara Municipal de Frankfurt, que foi igualmente alvo de ataques por parte dos manifestantes que partiram várias janelas.

Também alvo de polémica é o custo do novo edifício do Banco Central Europeu - com duas imponentes torres de vidro de 185 metros de altura -, avaliado em cerca de 1,3 mil milhões de euros.

Os incidentes nas ruas não foram omitidos durante a cerimónia de inauguração. No seu discurso o líder do BCE, Mario Draghi, não deixou de dirigir algumas palavras aos manifestantes.

"As pessoas estão a atravessar tempos muito difíceis. Há algumas, como vários dos manifestantes hoje, que acreditam que a Europa está a fazer pouco. No entanto, a zona euro não é uma união política onde alguns países pagam permanentemente pelos outros", declarou Mario Draghi.

Sempre foi entendido que os países tem que ser capazes de se manter pelo seu próprio pé, sendo responsáveis pelas suas próprias políticas. de facto alguns países estão a atravessar períodos dificeis de ajustamento não sendo uma escolha que impusémos. É apenas uma consequência das suas decisões passadas", acrescentou.