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Internacional

Protestos estudantis na birmânia reprimidos pela polícia

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Uma estudante protestante chora após uma briga com a polícia, em Leptadan.

SOE ZEYA TUN / REUTERS

Uma marcha de estudantes exigindo reformas no sector da educação foi interrompida pela força. A União europeia já condenou a brutalidade usada contra protestos pacíficos.

Em novembro, estudantes birmaneses começaram a protestar contra uma nova lei que coloca todas as decisões educativas nas mãos de um grupo composto maioritariamente por ministros do Governo.

Partiram a pé da cidade de Mandalay há mais de um mês e percorreram cerca de 140 quilómetros até Leptadan, uma cidade a norte de Rangun, a capital.

Ao protesto juntaram-se monges e outros ativistas. Ao fim de nove dias, eram cerca de 200 manifestantes. As autoridades ameaçou parar a marcha com "ações".

Quando chegaram a Leptadan, foram confrontados pela polícia, que os barricou entre veículos e barreiras de madeira e arame farpado. Alguns estudantes foram agredidos com bastões.

Pelo menos 16 polícias e 8 manifestantes ficaram feridos e foram confirmadas 127 detenções: 52 homens e 13 mulheres estudantes e ainda 62 aldeões.

Três polícias para cada manifestante 

Haung Sai, membro da Rede Nacional pela Reforma Educativa, que fez parte dos protestos, confirmou à Al Jazeera que havia uma média de cerca de três polícias para cada manifestante.

"Os estudantes nunca tiveram hipótese", afirmou. "As autoridades estava em força e preparadas para acabar com isto o mais violenta e rapidamente possível."

No total, foram confirmados cerca de 1000 polícias na zona de protesto, mas apenas metade entrou em ação para acabar com a manifestação, num mosteiro de Letpadan.

Sai acrescentou ainda que o Governo tinha prometido negociar com os manifestantes. "A brutalidade policial foi grande. Estamos cada vez mais determinados em lutar por reformas," disse.

A polícia, pelo seu lado, tinha concordado em permitir que os estudantes prosseguissem a sua marcha na terça-feira, para depois transporta-los para Rangun em camiões, mas exigiram que os manifestantes não gritassem slogans nem agitassem bandeiras pelo caminho. No entanto, não se chegou a acordo.

Em comunicado, a União Europeia recordou que tem vindo a treinar a polícia para gestão de multidões, condenando "o uso da força contra manifestantes pacíficos".