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Internacional

Prostituição em crescendo na Grécia

Em pleno programa de ajuda externa, desemprego e cortes orçamentais, o recurso à prostituição e a droga 'lowcost' estão a tomar conta de Atenas.

Leonor Mateus Ferreira

Depois de cinco anos de recessão e com cerca de 60% de desemprego jovem, a sociedade grega está a dar sinais de consequências. O número de pessoas que recorrem à prostituição aumentou 150% nos últimos dois anos, segundo o Centro Nacional de Estudos Sociais, e shisha é a perigosa droga lowcost que está a conquistar Atenas.

Entre 10 e 15 euros é o valor médio que homens e mulheres cobram pelos serviços de prostituição, mas até pode ser menos. Para alguns o bastante para cobrir os gastos do vício, para outros um recurso para comer, segundo o jornal americano "Tha New York Times". O valor pode aumentar no caso de relações sexuais desprotegidas: um chamariz que leva alguns a descurar a própria saúde.

A violência física e sexual é outro dos problemas a que quem vende o corpo se sujeita. Uma situação que se dramatizou com o surgimento da shisha, um tipo de cristais de metanfetamina, cujo nome surgiu devido ao cachimbo de água turco. A substância fabricada a partir de barbitúrico e outros ingredientes como álcool, cloro ou ácido de bateria, é mais conhecida como a cocaína dos pobres e é vendida nas ruas por dois a quatro euros por dose.

Em bolas de 0,01 gramas, as doses são fumadas pelos viciados, muitos deles sem abrigo ou profissionais do sexo, mas também há quem consuma a droga de forma intravenosa e corra ainda mais riscos. Segundo especialistas de saúde, consultados pelo "The New York Times", o número de internamentos não para de aumentar num país onde a austeridade está a cortar verbas à saúde como nunca.

Por outro lado, o número de infetados com o vírus da sida aumentou 50% entre 2011 e 2012, outra das consequências do uso de seringas para consumo de shisha. "Quando a droga entra, é o pior. Queima-te por dentro, faz-te ser agressivo e totalmente louco. Mas é barato e fácil de arranjar e é o que toda a gente está a fazer", explicou uma antiga viciada em heroína ao jornal "The Guardian".