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Procurador turco feito refém dentro de tribunal

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O edifício foi evacuado

Sedat Suna/EPA

Os raptores são supostamente membros da ilegalizada Frente Revolucionária de Libertação do Povo e ameaçam matar o procurador turco responsável pelo inquérito sobre os ferimentos mortais infligidos a um jovem durante as manifestações antigovernamentiais de 2013.

Homens armados entraram esta terça-feira no Palácio da Justiça de Caglayan, Istambul, e fizeram refém o procurador Mehmet Selim Kiraz, responsável pelo inquérito sobre os ferimentos mortais infligidos a Berkin Elvan, um jovem de 14 anos, durante as manifestações antigovernamentais de 2013.

Os raptores, supostamente membros da ilegalizada Frente Revolucionária de Libertação do Povo, ameaçam matar o procurador caso os agentes da polícia responsáveis pela morte do jovem não confessem de imediato.

Imagens do procurador com uma arma apontada à cabeça estão a ser divulgadas pelas redes sociais e as exigências - que incluem ainda a suspensão de processos contra manifestantes - foram apresentadas no site próximo do grupo halkinsesi.tv.

O grupo dissera que as exigências tinham de ser satisfeitas até às 15h36 (13h36 horas em Lisboa), prazo já entretanto superado sem que tenham surgido mais informações sobre a situação.

Frente Revolucionária é considerada como um grupo terrorista

Na altura da tomada do refém ouviram-se tiros. O grupo levou o procurador para o sexto andar do edifício do tribunal, que foi evacuado pela polícia.

Acusada de vários atentados, entre os quais um ataque bombista suicida contra a embaixada norte-americana em Ancara em 2013, a Frente Revolucionária da Libertação do Povo é considerada como um grupo terrorista pela Turquia, pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Berkin Elvan foi atingido por uma cápsula de gás lacrimogéneo durante os protestos do início do verão de 2013 contra o Governo de Recep Tayyip Erdogan, atual Presidente turco, acabando por falecer após ter estado 269 dias em coma.

Pai do jovem apela aos raptores para que desistam

A morte originou novos protestos, que levaram para as ruas dezenas de milhares de pessoas,voltando a ser reprimidos pelas autoridades turcas.

O seu pai lançou um apelo aos raptores para desistam desta ação. "O meu filho está morto, mas não deixem mais ninguém morrer (...) Vocês não podem lavar o sangue com sangue", afirmou à BBC Turca.