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Primeiro-ministro da Suécia não resiste a chumbo do Orçamento

AFP/Getty Images

É a primeira vez em 57 anos que a Suécia vai a eleições antecipadas. Coligação de Stefan Lofven sofre golpe com 'manobra' do partido de extrema-direita, que possui 13% dos assentos no Parlamento.  

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

A Suécia vai enfrentar eleições antecipadas a 22 de março de 2015. Há 57 anos que isso não sucedia. A pressão da extrema-direita no Riksadg [Parlamento] exercida com o 'chumbo' ao Orçamento do Estado para o próximo ano abalou os alicerces do Governo do centro de esquerda, no poder a apenas dois meses e visto como o mais fraco executivo da Suécia em décadas. 

A aprovação do plano económico e financeiro da coligação dos Sociais Democratas e o Partido Verde, em funções desde 3 de outubro, estava ameaçada pela anunciada rejeição do partido Democratas Suecos a qualquer incentivo à imigração. A ameaça de ingovernabilidade dependia da adoção de políticas duras de imigração, com a descida em 90% dos requerentes de asilo. 

Impossibilitado de ver passar o Orçamento, e já depois das reuniões infrutíferas, desta quarta-feira, com os partidos da oposição para dialogar sobre o Orçamento [o qual previa o aumento de impostos], terem antecipado este desfecho, o primeiro-ministro anunciou eleições antecipadas. O veto dos Democratas Suecos forçou um novo rumo. "Fundamentalmente, isto hoje redesenha o mapa político", afirmou Stefan Lofven. Restou-lhe um caminho: eleições antecipadas, que não aconntecem desde 1958. Um novo escrutínio significa "deixar os eleitores fazerem uma escolha face ao novo cenário político", destacou Stefan Lofven. 

Sem maioria absoluta, o Governo dependia de um acordo com outras forças políticas para fazer passar o Orçamento. Recorde-se que a coligação de centro-direita foi afastada da governbabilidade ao fim de oito anos nas leições de setembro passado e a extrema-direita conseguiu um avanço histórico, tornando-se na terceira força do Parlamento com 13%.