Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Primeiro-ministro australiano quer alterar leis de porte de arma

O primeiro-ministro australiano Tony Abbott diz que não vai descansar enquanto não garantir a segurança dos cidadãos australianos

LUKAS COCH/EPA

Tony Abbott anunciou a abertura de uma investigação ao que se passou durante o sequestro de Martin Place, em Sydney.

O primeiro-ministro australiano Tony Abbott disse que poderá ser necessário alterar as leis de porte de arma, por suspeitas de que o sequestrador de Sydney possuísse licença de porte de arma, apesar do seu longo cadastro. Na sequência destas declarações, a polícia do estado de Nova Gales do Sul (NSW) apressou-se a explicar que não existem dados que confirmem que Man Haron Monis, autor do sequestro de segunda-feira, alguma vez tenha tido acesso legal a armas.

"Há questões que devem ser levantadas. Como pode uma pessoa marcada pelo extremismo, o crime violento e a instabilidade mental ter licença de porte de arma", afirmou Abbott esta quarta-feira, em conferência de imprensa. Man Haron Monis entrou às primeiras horas da manhã de segunda-feira num café da movimentada zona financeira de Sydney, onde fez 17 reféns durante mais de 16 horas, acabando por matar dois deles, antes de ser morto pela polícia.

O primeiro-ministro anunciou que responsáveis da polícia de NSW vão conduzir uma investigação cujas conclusões serão divulgadas no final de janeiro. Esta visa, principalmente, averiguar de que forma Man Monis conseguiu iludir as autoridades. Como conseguiu residência permanente na Austrália, por que recebeu prestações sociais, tinha ou não licença de porte de arma, por que motivo lhe foi concedida liberdade condicional e por que foi retirado da lista de possíveis terroristas em 2009. Tudo isto são questões ainda sem resposta.

Abbott explicou que foi a polícia quem o aconselhou a não falar diretamente com o atirador - Monis tinha feito este pedido durante o sequestro -, e disse que não vai descansar enquanto o seu Governo não der garantias de segurança aos australianos. O chefe do Governo australiano também não soube adiantar se Monis estava ou não sob investigação do FBI.

Sabe-se que Monis saiu do Irão, com destino à Austrália, em 1996, e recebeu asilo político naquele país em 2001. Originalmente xiita, tornou-se recentemente sunita.

Durante uma investigação policial motivada por queixas de perseguição que acabaram por ser retiradas, em 2011, Monis disse às autoridades que teve acesso a uma arma quando trabalhava como segurança, mas que a licença tinha expirado há já vários anos. A polícia vai agora apurar se Monis manteve armas ilegalmente e como terá conseguido enganar tudo e todos.