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Primeiro-ministro australiano criticado por falar da "opção de vida" dos indígenas

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Tony Abbott, e o chefe local Lewis Moeau. As declarações do primeiro-ministro foram criticadas e consideradas ofensivas.

Nigel Marple / Reuters

As declarações de Tony Abbott foram consideradas ofensivas. O primeiro-ministro mostrou-se favorável ao encerramento de comunidades indígenas no estado da Austrália Ocidental.

O primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, foi criticado por sugerir que as pessoas que vivem em comunidades indígenas fizeram uma "opção de vida". Em visita ao estado da Austrália Ocidental, Abbott declarou que o Governo não pode manter os subsídios às comunidades.

Em entrevista à ABC Radio, na terça-feira, Abbott, que há havia declarado ser favorável ao encerramento de 150 comunidades indígenas na Austrália Ocidental, disse que o chefe do governo regional daquele estado, Colin Barnett, teve uma boa atitude ao pôr fim a quase metade das 274 comunidades indígenas ali existentes. "O que nós não podemos fazer é subsidiar eternamente opções de vida se estas não levarem a uma participação completa na sociedade australiana", afirmou Abbott.

As declarações foram consideradas ofensivas e inapropriadas. O chefe do Conselho Consultivo Indígena do governo australiano, Warren Mundine, disse à BBC que os comentários de Abbott enervaram os indígenas e desviaram a atenção do assunto primordial que são as reformas de áreas aborígenes e das comunidades indígenas das ilhas do Estreito de Torres. "As pessoas vivem nestas comunidades não por uma opção de vida, mas devido a fortes razões culturais e religiosas."

Discriminação e problemas sociais ao longo de gerações 

Mick Gooda, o comissário social de Justiça para as comunidades aborígenes e das ilhas do Estreito de Torres, afirmou que os indígenas entendem os problemas em torno da existência das suas comunidades, mas querem ser consultados para discutir uma solução.

O porta-voz da oposição para os assuntos indígenas, Shayne Neumann, qualificou os comentários de Tony Abbott como uma "desgraça", e acrescentou que o primeiro-ministro deveria desculpar-se pelas declarações.

A Constituição australiana não reconhece os aborígenes e as comunidades das ilhas do Estreito de Torres como o primeiro povo a habitar o país. Nos últimos anos, tem-se discutido alterações à Constituição no sentido do reconhecimento das comunidades indígenas e da criminalização à sua discriminação.

Atualmente, existem cerca de 250 comunidades indígenas na Austrália Ocidental, que somam aproximadamente 15 mil pessoas. A maioria encontra-se na região de Kimberley, no norte do estado.

Os indígenas australianos representam 2,5% dos 24 milhões de habitantes do país. As sucessivas gerações têm enfrentado, para além da discriminação, problemas sociais como fracas condições de saúde, de educação e falta de emprego.