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Presidente do Conselho Europeu diz que ambições de Cameron são "missão impossível"

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Donald Tusk (esquerda) fala com o primeiro-ministro David Cameron (direita) no início de uma cimeira da União Europeia, em Bruxelas.

YVES HERMAN / REUTERS

Donald Tusk prometeu ajudar o primeiro-ministro britânico a renegociar os termos da adesão à União Europeia. Mas assegura que uma reabertura e mudança do Tratado de Lisboa é uma "missão impossível".

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que irá liderar as negociações da adesão do Reino Unido à União Europeia, declarou que irá oferecer ajuda limitada ao primeiro-ministro britânico na renegociação dos termos da adesão.

"Estou disposto a ajudar Cameron", afirmou Tusk numa entrevista a seis jornais europeus. "Não tenho dúvidas de que teremos de o ajudar num quadro limitado e racional. Temos que ajudar David Cameron porque ele é, obviamente, pró-europeu." No entanto, acrescentou: "Sou cético quando se fala em mudar o tratado".

O Governo britânico tem vindo a pressionar repetidamente para uma reabertura do Tratado de Lisboa, de forma a que possa acrescentar as mudanças que quer, mas Tusk defende que não há hipótese de isso acontecer.

"A minha intuição é que esta mudança do tratado está perto de uma missão impossível, porque não se trata apenas de racionalidade e de bons argumentos. Precisamos de unanimidade entre os 28 Estados-membros", defendeu.

Cameron prometeu aos britânicos convocar um referendo em 2017, para os eleitores decidirem se o Reino Unido deve permanecer ou não na União Europeia. Pretende defender o "sim", mas a uma União renegociada. No entanto, não é provável que tenha o apoio dos parceiros europeus nem da chanceler alemã, Angela Merkel.

Tusk quer propostas concretas 

"Primeiro que tudo precisamos de detalhes mais precisos acerca das exigências britânicas. Quando tivermos mais informação acerca dos detalhes, de problemas legais, aí podemos decidir se a discussão acerca da mudança de tratado é de todo necessária", afirmou Tusk, defendendo que é tudo uma questão prática. "Não estão em causa apenas os argumentos de Cameron. Posso concordar ou discordar com alguns deles. Mas no fim do dia, gostaria de lhe perguntar 'qual é a sua proposta concreta?' e aí sim posso reunir com os outros Estados-membros."

O presidente do Conselho Europeu acrescentou que a primeira reação dos Estados-membros acerca de uma possível mudança do tratado foi "unívoca": não querem discutir o assunto. "Precisamos, também pelo Reino Unido, de arranjar uma boa solução para Cameron e o Reino Unido, sob a legislação em vigor. Precisamos do Reino Unido na Europa. E sinto, apesar de não ser o meu papel decidi-lo, que o Reino Unido precisa da Europa", concluiu.