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Presidente do Cazaquistão reeleito com mais de 97% dos votos

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Nursultan Nazarbayev, o Presidente cazaque, depois de votar, no domingo, em Astana.

Igor Kovalenko/EPA

O Presidente cazaque Nursultan Nazarbayev, que governa o país desde 1989, conseguiu uma vitória esmagadora, mas não se livra das acusações de limitação à liberdade de expressão.

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Nursultan Nazarbayev foi reeleito como Presidente do Cazaquistão este domingo, precisamente como era esperado, e cumprirá assim o seu quinto mandato consecutivo. Segundo os resultados publicados esta segunda-feira no site da Comissão Central de Eleições, Nazarbayev conquistou 97,7% dos votos, tendo a participação dos eleitores sido esmagadora, com 95,2%.  

"A participação recorde revela a unidade dos cazaques, o seu desejo de viver num Estado estável e o seu apoio aos programas que propus", declarou Nazarbayev ainda no domingo, no seu discurso de vitória na Biblioteca do Primeiro Presidente, em Astana, capital do país.  

Nazarbayev está no poder no país desde 1989, altura em que foi nomeado primeiro secretário do partido comunista, quando o Cazaquistão ainda fazia parte da União Soviética. Depois da independência do país, foi eleito como primeiro Presidente do Cazaquistão em 1991, cargo que continuou a ocupar desde então, primeiro como independente (1991-1999) e depois pelo partido Nur Otan (1999-2015).

As eleições de agora estavam previstas apenas para 2016, mas foram antecipadas - provavelmente para acabar com a especulação sobre um possível sucessor, segundo relata a BBC. 

Falta de pluralidade 

Os restantes candidatos à eleição presidencial, que terão adquirido cerca de 3% dos votos, não fizeram grande sombra ao vencedor. Tanto Turgun Syzdykov (partido comunista), como Abelgazy Kusainov (independente), são vistos como favoráveis a Nazarbaeyv, tendo o segundo ocupado inclusivamente lugares no Governo cazaque, como relata a AFP. Nenhum candidato da oposição conseguiu concorrer às eleições. 

Segundo o jornal britânico "Guardian", vários dos eleitores presentes nas longas filas para exercer o seu direito de voto denunciaram ter sido pressionados pelos seus empregadores para ir votar, uma táctica comum durante o domínio da URSS. "As eleições no Cazaquistão parecem um teatro político", declarou ao mesmo jornal Dosym Saptaev, diretor do 'think-tank' Risk Assessment Group.

Também a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que serviu de observadora durante a campanha e a eleição, emitiu esta segunda-feira um comunicado onde faz críticas ao processo eleitoral: "Os eleitores não tiveram direito a uma escolha genuína entre alternativas políticas", declarou a responsável pela missão Cornelia Jonker, destacando o domínio da vida política por Nazarbayev e pelo partido Nur Otan. "Houve restrições significativas à liberdade de expressão e ao clima nos media."