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Presidente da Volkswagen demite-se do cargo

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Sean Gallup/Getty

Ferdinand Piech, patriarca da Volkswagen, perdeu a guerra que tinha aberto com Martin Winterkorn, presidente executivo da companhia.

Helena Bento

Jornalista

Ferdinand Piech, presidente do conselho de administração da Volkswagen, apresentou este sábado a sua demissão do cargo, na sequência de um braço-de-ferro com Martin Winterkorn, presidente executivo do grupo automóvel alemão.  

Piech, 78 anos, neto do inventor do famoso Volkswagen Carocha (primeiro modelo de automóvel fabricado pela companhia alemã), já tinha derrotado outros executivos, mas desta vez a situação foi diferente.

O presidente, conhecido por ser um hábil negociador que nunca parte para uma batalha sem ter a certeza de que tem as condições necessárias para a ganhar, ficou inesperadamente isolado (um contra cinco) numa votação do conselho de supervisão, que ocorreu na semana passada.

Representantes dos trabalhadores e até o seu primo, Wolfgang Porsche, mantiveram-se do lado de Martin Winterkorn, que viu o seu contrato, que expira no final deste ano, ser prolongado a partir de fevereiro de 2016.

"Os membros do conselho de supervisão chegaram à conclusão de que, à luz dos acontecimentos das últimas semanas, a confiança mútua necessária para uma cooperação bem sucedida já não é possível", lê-se no comunicado que os seis membros que integraram o painel de avaliação fizeram circular.

"Perante este cenário, o professor doutor Ferdinand K. Piech apresentou a sua demissão do cargo de presidente, tendo também renunciado ao cargo de membro do conselho fiscal comum".

No mesmo comunicado, a companhia sustenta que Martin Winterkorn, presidente executivo da Volkswagen há cerca de sete anos (e responsável pela duplicação da faturação da companhia para cerca de 200 mil milhões de euros) "é o melhor presidente executivo para a Volkswagen".

Também a esposa de Piech, Ursula, que trabalhara em tempos como ama e se juntara em 2012 ao conselho de supervisão da empresa, renunciou a todas as suas funções na Volkswagen. 

Karl Braeur, analista da empresa americana Kelley Blue Book, disse que a saída de Ferdinand Piech representa uma "mudança sísmica na estrutura de poder" da Volkswagen, e que pode trazer "mudanças drásticas" na forma como opera aquela que é "uma das maiores construtoras de automóveis a nível mundial".

A liderança da companhia tornou-se pública quando Ferdinand Piech, que com a família Porche detém 51% da Volkswagen, criticou a gestão de Winterkorn, de que dizia sentir-se "afastado", numa entrevista concedida à revista alemã "Der Spigel".

Enquanto não se sabe quem será o próximo presidente do conselho de administração, Berthold Huber, sindicalista, vai assumir temporariamente o cargo.