Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

População de Vanuatu precisa com urgência de alimentos

  • 333

FOTO REUTERS/Dave Hunt

A situação é especialmente preocupante uma vez que nas mais de 80 ilhas do arquipélago cerca de dois terços da população depende da agricultura de sobrevivência.

Três dias após o ciclone Pam ter invadido o arquipélago de Vanuatu, no Pacífico Sul, ainda há muitas consequências por avaliar. Mas o cenário é, sem dúvida, de devastação, sobretudo na ilha de Tanna, a sul de Port Vila, segundo constataram as equipas de resgate.

"Os danos parecem significativamente piores em Tanna do que na capital Port Vila", disse Tom Perry, da organização humanitária Care Austrália, citado pela BBC.

Também a força aérea australiana confirma a existência de maiores danos na zona sul do arquipélago. "As imagens mostram um cenário de grande devastação. Os estragos parecem ser de maiores dimensões sobretudo na ilha de Tanna, onde mais de 80% das casas e edifícios foram parcialmente ou totalmente destruídos, assim como árvores e produções agrícolas ", declarou a ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop.



A governante australiana anunciou ainda o envio de mais três aeronaves e de 20 equipas de emergência médica - constituídas por médicos, paramédicos e enfermeiras - que deverão começar a assistir em breve doentes em Port Vila.

A ajuda humanitária continua a chegar às ilhas de Vanuatu, sendo as principais prioridades a distribuição de água potável, medicamentos, alimentos entre outros mantimentos à população. 

Mantimentos são urgentes

"Nós precisamos urgentemente de comida para as comunidades que se alimentavam basicamente daquilo que cultivavam e que agora terão que esperar pelo menos três meses para voltararem a ter produtos da terra. E precisamos também de pastilhas para purificar a água", sublinhou Alice Clements, da UNICEF.

A situação é especialmente preocupante uma vez que nas 83 ilhas do arquipélago cerca de dois terços da população tem a agricultura como sector de atividade.



De acordo com a UNICEF, cerca de 60 mil crianças estão impedidas de regressar às aulas, pois as escolas ficaram destruídas. Com a maioria das casas danificadas na sequência de ventos superiores a 300 km/hora, outra das prioridades é a construção de abrigos temporários para a população sem abrigo.

Além disso, as comunicações ainda não estão totalmente restabelecidas, dificultando o trabalho das autoridades. Segundo Aurelia Balpe, chefe da Federação Internacional da Cruz Vermelha, o Governo de Vanuatu está a tentar coordenar as equipas de resgate, no entanto, há muitas dificuldades para efetuar as ligações entre as várias ilhas, através de barco ou avião, devido às condições climatéricas.



Ajuda do Banco Asiático de Desenvolvimento

Antes do ciclone Pam, o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD)  já tinha enviado uma equipa de engenheiros para o arquipélago de Vanuatu, no âmbito de um pacote de ajuda de sete  milhões de euros para obras de reabilitação, refere o jornal "The Guardian".

"Foi uma boa coincidência. Grande parte do trabalho de preparação já foi feito, espero que seja de facto tudo agilizado agora", afirmou Andrea Iffland, responsável do BAD, citada pelo jornal britânico. 



Também o Fundo Monetário Internacional já manifestou disponibilidade para ajudar o país na sua reconstrução.

Entretanto, Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU reviu em baixa o número de vítimas para 11 mortes confirmadas, alertando contudo para a possibilidade de o número poder vir a subir.

O ciclone Pam que atingiu o arquipélago de Vanuatu na sexta-feira registou ventos que 340 km/hora tendo afetado também os arquipélagos de Kiribati e Salomão.