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Polícia francesa detém suspeito de planear ataques a igrejas

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"No domingo de manhã evitámos um atentado", adianta um governante francês. Quando as autoridades decidiram revistar a habitação do detido - uma residência universitária - encontraram três kalashnikovs, munições e documentos relacionados com os grupos terroristas Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico.

A polícia francesa deteve no passado domingo um jovem de 24 anos, suspeito de planear ataques contra igrejas em Paris e ainda de assassinar uma mulher, Aurélie Châtelain. O anúncio da detenção foi feito esta quarta-feira pelo ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve.  

"O indivíduo planeava fazer um ataque iminente numa ou duas igrejas", disse Cazeneuve, sem identificar quais eram. 

A detenção foi feita depois de os serviços de informação franceses (SAMU) terem recebido uma chamada no domingo, pelas 9h00. Foi-lhes reportado que estava um homem a circundar pelo distrito 13 de Paris e que tinha sido baleado numa perna. O jornal francês "Le Monde" precisou que o jovem perdia muito sangue e que, depois do telefonema, os serviços de informação franceses ligaram às autoridades locais, as quais, ao seguirem o trajeto de sangue deixado no chão, depararam-se com um veículo que continha um "arsenal de armas de guerra".

As autoridades locais disseram que o suspeito já tinha sido detido anteriormente assim que regressou a França, depois de ter viajado para a Síria em fevereiro deste ano, precisou o "Le Monde". Por esse motivo, o jovem já andava a ser investigado há algum tempo pelos serviços de informação franceses. No entanto, o ministro do interior francês salientou que a vigilância feita não demonstrava sinais de que o detido planeava algum ataque.  

Três kalashnikovs, munições e documentos comprometedores

O jovem detido tem 24 anos e nasceu na Argélia. Foi viver para França em 2001 com a sua mãe, onde passou a maior parte da adolescência. O "Le Monde" adianta que, ao longo dos anos, viajou várias vezes para o país onde nasceu, até que, aos 19 anos, e depois de sair da casa dos seus pais, dedicou-se aos estudos, na Universidade de Reims, em Paris, onde estudava eletrónica.

Quando as autoridades decidiram revistar a habitação do detido - uma residência universitária - encontraram três kalashnikovs, munições e documentos relacionados com os grupos terroristas Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico (Daesh). A polícia encontrou ainda, no carro do suspeito, uma pistola, um revólver, três carregadores, coletes à prova de bala, um GPS e ainda equipamentos telefónicos. 

No entanto, foram os documentos encontrados na casa do detido que indicaram às autoridades a sua intenção de atacar igrejas francesas. "No domingo de manhã evitámos um atentado", declarou o ministro, acrescentando que, através de trajetos gravados no seu GPS e de notas manuscritas, o objetivo do jovem era atacar uma igreja na localidade de Villejuif, perto de Paris. 

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, expressou a sua preocupação perante estas ameaças: "O nosso país, como outros, está a ser alvo de ameaças terroristas sem precedentes". O presidente francês, François Hollande, também confirmou que estava "prestes a ser perpetrado" um atentado e que o alvo era uma igreja. "Somos muito vigilantes em relação às ameaças terroristas", acrescentou.  

Impressões digitais no carro da mulher assassinada  

Aurélie Châtelain foi encontrada morta no seu carro no passado domingo - o detido de 24 anos é o principal suspeito. Mãe de uma menina de cinco anos e professora de ginástica, viajou no passado sábado a Paris para participar num curso de formação profissional. O jornal espanhol "El País" avançou com a notícia de que a mulher, de 32 anos, foi encontrada sem vida no seu carro, estacionado numa rua de Villejuif. O corpo foi incendiado, mas as autoridades locais detetaram que Aurélie tinha sido baleada. 

Um oficial francês precisou que, segundo análises realizadas, os disparos contra Aurélie foram feitos com um revólver encontrado no carro do jovem detido no passado domingo. Além disso, no veículo da mulher foram encontradas impressões digitais do mesmo. Apesar destas ligações, o Ministério do Interior não precisou a relação entre o detido e Aurélie. 

Fontes policiais indicaram que, de acordo com as conclusões a que chegaram (não oficiais), o detido tentou roubar o carro da mulher e, perante a resistência de Aurélie, o suspeito baleou-a "várias vezes". 

Os serviços de segurança franceses suspeitam que o detido não atuou sozinho e que, "muito provavelmente", contava com cúmplices.  

 

Esta detenção aconteceu três meses e meio depois dos atentados terroristas no Charlie Hebdo. Perante estes ataques, o governo francês mobilizou milhares de polícias e forças militares para proteger "potenciais" alvos no país, incluindo igrejas e sinagogas.