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PM italiano: "Nem todos os migrantes que estavam a bordo eram famílias inocentes"

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FOTO EPA

Matteo Renzi escreveu no "New York Times" sobre o naufrágio do último domingo, ao largo da Sicília. Mais de 800 pessoas perderam a vida.

"Nem todos os passageiros que estavam a bordo eram famílias inocentes", escreveu Matteo Renzi, primeiro-ministro italiano, num editorial publicado esta quarta-feira no jornal norte-americano "The New York Times". O chefe de governo italiano lembra que a região do norte de África é devastada pelo terrorismo. 

Matteo Renzi justifica a afirmação com o caso da Líbia. "Cerca de 90% dos migrantes que chegam a Itália passam pela Líbia. É um país preso, não só à instabilidade, como também ao terrorismo internacional. O Estado Islâmico opera lá." Por isso, sustenta, a União Europeia deve reunir esforços para superar esta ameaça, que cria em África um terreno fértil para o tráfico humano. 

O editorial do primeiro-ministro italiano é publicado três dias depois de um dos maiores naufrágios no Mediterrâneo, onde centenas de pessoas morreram. Matteo Renzi caracteriza os migrantes como pessoas com "uma vida cheia de sofrimento, desespero e esperança, o que os leva a ser vítimas do tráfico humano". 

Esta quinta-feira há uma reunião de emergência do Conselho Europeu para repensar a política de combate à migração ilegal e ao tráfico humano. "Todos somos parcialmente responsáveis pelo crescimento do tráfico, pois a reposta da comunidade internacional tem sido insuficiente. A União Europeia tem de começar a direcionar os recursos apropriados", lê-se no editorial.

Já foi divulgada uma lista de 10 medidas que vão estar em cima da mesa esta quinta-feira, na reunião do Conselho Europeu: o reforço das operações marítimas no Mediterrâneo, a realização de operações e iniciativas semelhantes às do combate à pirataria, a angariação de mais recursos materiais - financeiros e humanos, tanto em território africano como europeu - e ainda agilizar entre os Estados membros as respostas aos pedidos de asilo são algumas das propostas que vão estar em discussão.