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Petrolífera estatal líbia suspende produção em onze campos

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FOTO REUTERS/Ismail Zitouny

A Companhia Nacional de Petróleo da Líbia ameaça fechar todas as explorações petrolíferas caso a segurança não melhore, numa altura em que o autodenominado Estado Islâmico procura reforçar a sua presença no país.

Quatro anos depois da Primavera Árabe, a transição democrática na Líbia ainda está longe de ser pacífica, com o autodenominado Estado Islâmico (Daesh) a aproveitar o instável cenário político para reforçar a sua presença no país. Na quarta-feira, a Companhia Nacional de Petróleo da Líbia anunciou a suspensão da produção em onze campos petrolíferos, na sequência de vários ataques levados a cabo por jiadistas do Daesh.

A medida surge depois de um rebelde islâmico ter disparado fogo contra o campo petrolífero de Dahra, situado junto à costa da Líbia, fazendo explodir edifícios residenciais e administrativos.

Antes, os jiadistas assumiram o controlo dos campos petrolíferos de Bahi e Mabruk - também estratégicos para a economia do país - que se encontravam encerrados há algumas semanas devido aos ataques e à queda das exportações da matéria-prima.

"Eles cercaram a exploração de Dahra em três zonas, e quando os guardas ficaram sem munições invadiram o local, saquearam tudo e depois bombardearam os edifícios, deixando-os em ruínas", declarou Mashallah al-Zewi, ministro líbio da Energia, acrescentando que as forças leais do Executivo responderam ao ataque com bombardeamentos aéreos.



Campos petrolíferos podem ser todos encerrados

Segundo a "Al Jazeera", a Companhia Nacional de Petróleo da Líbia ameaça mesmo fechar todas as explorações petrolíferas e os portos caso a segurança no país não melhore.

Entretanto, a Missão da ONU de Apoio à Líbia (UNSMIL) anunciou que a próxima ronda de discussão política, que envolverá todos os partidos, terá lugar na quinta-feira em Marrocos, antes de uma nova ronda de negociações em Argel na próxima semana.

As Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE) já se congratularam com a disponibilidade manifestada por 23 partidos para participarem nas reuniões, sublinhando que o diálogo constitui a única via para se alcançar uma solução para a Líbia que ponha fim à crise política e ao conflito militar.

"A Líbia não pode mais aguentar, nem permitir a crise política e o conflito armado que assolou o país há muito e que piorou no ano passado. A não ser que os líderes da Líbia ajam rápido e eficazmente, a unidade e a integridade nacional do país estarão em risco", alertou o representante da ONU na Líbia, Bernardino de León. 

"A ameaça terrorista é cada vez mais palpável"

Realçou ainda que o Daesh está a consolidar a sua presença na Líbia, situação que deve preocupar o país e a comunidade internacional.

"A UE, tal como provavelmente o resto da comunidade internacional, vai continuar a apoiar os esforços do representante da ONU na Líbia, Bernardino de León, com o qual mantenho contacto constante. A situação do país é muito perigosa e corre o risco de se agravar, com dramáticas consequências para a União Europeia", afirmou por sua vez a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

As negociações em Marrocos procurarão encontrar uma solução para a Líbia que garanta ao país um governo de unidade nacional e uma melhoria da segurança, numa altura que o seu território é rivalizado por diferentes grupos armados.   

A produção petrolífera na Líbia começou a recuar abruptamente dese a guerra civil que levou à queda do ditador Muammar Kadhafi, em 2011. No ano passado, a produção petrolífera desceu para cerca de 400 mil barris diários, muito aquém dos 1,6 milhões de barris produzidos por dia, quando Kadhafi governava o país.