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Perpétua ou pena de morte. Júri culpa Tsarnaev pelo atentado na maratona de Boston

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Esboço feito durante o julgamento

FOTO REUTERS

Parte da decisão do júri já é conhecida. Três pessoas morreram e 264 ficaram feridas no atentado, ocorrido há quase dois anos.

Depois de 11 horas em deliberações, o júri responsável pelo caso do atentado na maratona de Boston determinou que o muçulmano Dzhokhar Tsarnaev é culpado das 30 acusações - 17 delas puníveis com pena de morte - de que foi alvo, incluindo a utilização de armas de destruição maciça e ainda a morte de um polícia. O veredito, que já era esperado, determina que Tsarnaev poderá ser condenado a pena de morte. O atentado foi considerado o pior ato de terrorismo em solo norte-americano desde o 11 de setembro de 2001.  



A segunda fase do julgamento deverá começar na próxima semana e decidirá se Tsarnaev é condenado a pena de morte ou prisão perpétua. Nesta etapa, os procuradores vão chamar, mais uma vez, algumas das vítimas para testemunharem e descreverem, pormenorizadamente, como é que a vida delas se alterou desde o ataque.  



A imprensa norte-americana disse que o muçulmano de 21 anos se manteve calmo e impassível enquanto ouviu o veredito. Esteve de pé durante 30 minutos sem nunca olhar para o júri presente no tribunal, constituído por sete mulheres e cinco homens.



Na sala do tribunal estiveram presentes sobreviventes do atentado e ainda alguns familiares das vítimas, que testemunharam contra Tsarnaev. Fora do tribunal, os sobreviventes declararam que este veredito lhes permite deixar "para trás" o atentado.



Os argumentos dados em tribunal

A acusação chamou cerca de 90 testemunhas ao longo do julgamento, que teve início no passado dia 4 de março apenas com declarações. Ao longo dos dias, os procuradores descreveram metodicamente a construção das bombas, feitas a partir de panelas de pressão.



Embora a defesa, constituída por Judy Clarke, tenha alegado que Tsarnaev foi radicalizado pelo seu irmão mais velho, Tamerlan (26 anos, morto horas depois do atentado), concordou num ponto com a acusação: o muçulmano fez parte do atentado na maratona de Boston.



Ainda assim, Clarke declarou que Dzhokhar Tsarnaev não partilhava "o mesmo nível de culpabilidade" que o irmão. "Nós não negamos que Dzhokhar participou na tragédia. Mas se não fosse Tamerlan, isto não teria acontecido."



A acusação ignorou os argumentos dados por Clarke e repetiu várias vezes que os irmãos eram uma "equipa" e que queriam castigar os norte-americanos pelas guerras no Iraque e Afeganistão. Além disso, o advogado William Weinreb afirmou que culpar o irmão mais velho era uma forma de desviar a responsabilidade de Dzhokhar .

   

O procurador Aloke Chakrabarty, que representa a acusação, afirmou que os irmãos quiseram deixar um aviso à América e sublinhou que "nunca mais nos voltarão a aterrorizar". "Somos nós que vos iremos aterrorizar."



Vários vídeos exibidos em tribunal recordaram o dia fatídico e ajudaram a acusação a montar as peças que conduziram ao veredito final do júri. "Naquele dia, sentiram que eram soldados. Eram os mujahedin e vieram a Boston travar a sua batalha", sustentou a acusação.     



O atentado ocorreu a 15 de abril de 2013, durante a maratona de Boston. As bombas foram feitas com panelas de pressão e colocadas posteriormente na linha final da maratona. Três pessoas morrerem e 264 ficaram feridas.

 

(Atualizda às 23h24)