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Internacional

Perguntas e respostas sobre o massacre de Peshawar

Um militar paquistanês faz guarda à entrada da escola onde na terça-feira um ataque dos talibãs foi responsável pela morte de 141 pessoas, na sua maioria jovens estudantes

FAROOQ NAEEM/AFP/Getty Images

Todas as perguntas sobre o ataque talibã a uma escola militar.

Quem é que atacou a escola?

A autoria do ataque já foi reclamada pelo movimento talibã paquistanês, Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), os mesmos que terão disparado sobre a Nobel da Paz, Malala Yousafzai. O TTP pretende, desta forma, retaliar contra as ofensivas do Exército paquistanês iniciadas a 15 de junho no norte do Vaziristão, região montanhosa junto à na fronteira com o Afeganistão. "As crianças das nossas tribos são as nossas crianças. As mulheres das nossas tribos são as nossas mães e irmãs. 600 pessoas morreram em apenas um ano. Inocentes foram mortos", afirmou o porta-voz do TTP. "Foram estes os soldados que atiraram os seus corpos para sacos. Fomos forçados a tomar esta decisão, para que pudéssemos atingi-los nas suas próprias casas. Só quando se é ferido na sua própria casa é que se percebe a situação. Eles incendiaram as nossas casas e nós fomos forçados a incendiar as deles", acrescentou Muhammad Khorasani, segundo o qual os seis bombistas suicidas enviados para a escola tinham ordens para poupar as crianças.

 

O que há de novo neste ataque?

Segundo o editor do serviço em Urdu da BBC, Aamer Ahmed Khan, foi a primeira vez que o movimento talibã paquistanês atacou uma escola com crianças no interior, algumas das quais serão filhas de militares. Para este jornalista, trata-se um sinal evidente do ódio suscitado nos talibã pelas operações militares iniciadas em junho durante as quais também terão morrido os seus filhos e mulheres.

 

Como agiram os atacantes?

Os seis terroristas, vestidos de branco, terão saltado o muro da escola, recorrendo a uma escada, e entrado no recinto munidos com metralhadoras AK-47 (a conhecida Kalashnikov) e granadas. Um médico do hospital para onde as vítimas foram conduzidas (Lady Reading Hospital, em inglês) disse à BBC que alguns estudantes tinham sido baleados na cabeça e no peito, enquanto outros morreram quando um dos bombistas suicidas detonou em pleno pátio o engenho que transportava junto ao corpo. Um funcionário da escola disse à Reuters que viu os atacantes  arrombarem as portas das salas e a disparar sobre os alunos indiscriminadamente. Uma rapariga de 13 anos terá conseguido escapar fazendo-se de morta enquanto o homem armado permanecia na sala. "Foi a única da sua turma a sobreviver ao ataque", disse à BBC a sua amiga Shireen Khalid Wadud. Outras crianças que sobreviveram ao ataque dizem que viram alguns amigos serem mortos à sua frente e falam em corpos espalhados pelos corredores e salas de aula.

 

Como decorreu a operação de resgate?

Para combater os terroristas, o Exército enviou para o local os comandos. Depois de cercar o recinto, definindo o habitual perímetro de segurança, tomaram posições estratégicas. Segundo o general Asim Salim, o ataque final, durante o qual terão sido abatidos sete homens-bomba e um número ainda indeterminado de soldados paquistaneses, decorreu no edifício onde ficam localizados os serviços administrativos da escola. Segundo a mesma fonte, os terroristas tinham munições e alimentos, o que revela a intenção de permanecer durante muito tempo sitiados no edifício. A colocação, pelos terroristas, de diversos engenhos explosivos no recinto da escola, terá atrasado a conclusão operação de resgate. 

 

Que escola é esta?

Trata-se de uma escola pública do Exército frequentada por 1573 alunos do primeiro ao décimo ano, oriundos de diversos estratos sociais com especial destaque para a classe média-alta. A relativa qualidade da educação aí ministrada leva muitas famílias paquistanesas a matricular os seus filhos em escolas militares. Fonte oficial dos serviços secretos paquistaneses disse ao correspondente da CBS em Islamabad, capital do Paquistão, que os seis atacantes elegeram como primeiro alvo um anfiteatro da escola onde alunos entre 13 e 15 anos esperavam pelo início de uma formação sobre primeiros-socorros que iria ser ministrada por médicos do Exército paquistanês.