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Internacional

Pena de morte regressa ao Paquistão

Esta quarta-feira começaram as primeiras cerimónias fúnebers às vítimas do atentado em Peshawar

Reuters

O primeiro-ministro paquistanês deu luz verde à abolição da moratória sobre a execução da pena de morte em casos relacionados com terrorismo, na sequência do ataque mais sangrento da história do país. 

Um dia depois do ataque a uma escola militar em Peshawar, no Paquistão, que causou 141 mortos - a maioria crianças - e centenas de feridos, os mercados e as escolas continuam encerrados, multiplicam-se as orações e as homenagens às vítimas e começam as primeiras cerimónias fúnebres. É nesse contexto que surge o anúncios, pelo primeiro-ministro Nawaz Sharif, do levantamento da suspensão da pena de morte para casos de terrorismo.

"O primeiro-ministro aprovou a abolição da moratória sobre a execução da pena de morte em casos relacionados com terrorismo", declarou o gabinete do governante.

Em causa esteve a pressão da população para que o Governo paquistanês tomasse mais medidas contra a violência levada a cabo pelos movimentos insurgentes, ligados a grupos como a Al-Qaeda.

Em Karachi, a maior cidade do país, prosseguem as vigílias. Os cidadãos acendem velas e crianças a juntam-se às orações pelas vítimas, à semelhança do que acontece em Peshawar e em várias outras zonas do país.

Paralelamente, o exército paquistanês lançou ataques aéreos nas zonas de Khyber e no norte de Waziristão, embora se desconheça se foi uma resposta ao ataque em Peshawar, uma vez que são frequentas operações naquelas regiões, refere a BBC.

O primeiro-ministro Nawaz Sharif convocou uma reunião em Peshawar com todos os grupos parlamentares para discutirem a resposta ao ataque, enquanto o comandante do exército paquistanês,  Raheel Sharif,  já chegou à capital afegã em busca de cooperação na luta contra os talibãs.  

Talibãs afegãos condenam ataque

Esta quarta-feira foram divulgadas novas imagens da escola que mostram a brutalidade do ataque. "Isto não é um ato humano, estamos perante uma verdadeira tragédia nacional", declarou o major general Asim Bajwa, citado pela AP, durante uma visita ao local do atentado.

O ataque foi revindicado pelo grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan, que pertence ao movimento talibã no Paquistão. O anúncio foi feito pelo porta-voz do grupo Mohammed Khurasani, através de um telefonema para os media explicando que o ataque foi uma retaliação pela morte de membros dos talibãs às mãos das autoridades paquistanesas. "Nós atacamos uma escola porque o exército ataca os nossos familiares. Queremos que eles sintam a nossa dor", declarou.

O movimento talibã no Afeganistão lamentou no entanto o ataque em Peshawar e transmitiu as "condolências" às famílias das vítimas, garantindo que a morte de mulheres e crianças está contra aquilo que ensina o islamismo. 

O Papa Francisco também condenou esta quarta-feira o atentado em Peshawar, assim como outros ataques terroristas recentes, que vitimaram mais cidadãos. "Quero rezar em conjunto convosco pelas vítimas dos desumanos atos terroristas que aconteceram nos últimos dias na Austrália, no Paquistão e no Iémen. O Senhor acolha na sua paz os que morreram, conforte os seus familiares e converta o coração dos violentos que não param nem sequer as crianças", afirmou o pontífice. 

O ataque talibã a uma escola militar em Peshawar, na terça-feira, foi o mais mortífero da história do país, seguido do atentado, ocorrido em outubro de 2007, em Karachi, no qual 139 paquistaneses morreram e 250 ficaram feridos na altura da chegada da antiga primeira ministra Benazir Bhutto.