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Partido pró-NATO vence eleições na Estónia

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Primeiro-ministro estoniano Taavi Roivas, líder do Partido Reformista, vencedor das eleições parlamentares deste domingo

INTS KALNINS/REUTERS

Depois de uma longa campanha eleitoral marcada pelo medo da interferência russa, a Estónia celebrou este domingo a vitória parlamentar do Partido Reformista pró-NATO. Para trás ficou o líder do partido pró-russo, que promete não se deixar "silenciar".

O Partido Reformista pró-NATO, liderado pelo primeiro-ministro Taavi Rõivas, venceu as eleições legislativas deste domingo na Estónia. Para trás ficou o rival pró-Kremlin Edgar Savisaar, dirigente do Partido do Centro, depois de uma campanha dura, marcada pelos receios de interferência do grande vizinho russo.

"O Partido Reformista da Estónia é o vencedor das eleições parlamentares de 2015", anunciou Rõivas ao canal de televisivo ETV. Com dois terços dos votos contados, a sua força política liderava com 29%, contra os 21% da formação de Savisaar, o político que defende melhores relações políticas entre Tallinn e Moscovo.

As eleições confirmaram o apoio da população a um Governo de coligação que defende a aproximação ao Ocidente contra Vladimir Putin. Desde a anexação pela Rússia da região ucraniana da Crimeia, a Estónia sofreu frequentes violações do seu espaço aéreo por aviões de Kremlin.

Um quarto da população estónia é etnicamente russa e, dessa fatia, a maioria apoia Partido do Centro. Em 2004 - o mesmo ano em que a Estónia entrou na União Europeia (UE) -, Savisaar assinou um acordo de cooperação com o Putin.

Coligação mas sem os pró-russos

Savisaar não baixará os braços. Citado pelo Baltic News Service, o político pró-russo diz que "um partido que representa uma parte tão significativa da população da Estónia não pode ser silenciado".

Quanto a Rõivas, o mais jovem primeiro-ministro europeu (tem 35 anos e governa desde maio) terá de renovar a atual coligação com o Partido Social Democrata para fortalecer a sua maioria parlamentar. O Partido Reformista tem apenas 30 dos 101 deputados do Parlamento estónio. Questionado sobre se aceitaria formar uma nova aliança com Savisaar e os pró-russos, o governante respondeu: "Definitivamente não".

Alguns analistas temem que a Rússia fomente a instabilidade política na Estónia, agitando as minorias russófonas, usando a política energética ou lançando uma guerra cibernética. Tal representaria um desafiio à capacidade da NATO, que de momento defende o flanco leste da Europa com 5000 soldados e centros de comando em seis dos ex-membros do bloco comunista da União Soviética, incluindo a Estónia.

A Estónia - um dos membros mais recentes da União Europeia - só aderiu à moeda única há quatro anos. O país tem seguido políticas maioritariamente conservadoras desde que se independentizou da URSS, em 1991. A taxa de desemprego encontra-se nos 7,4% e dívida pública é hoje uma das mais baixas da União Europeia.