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Para fugir às siglas, Sarkozy quer mudar o nome do seu partido para "Os Republicanos"

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FOTO KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Getty Images

O antigo chefe de Estado francês pretende mudar o nome do seu partido de centro-direita para "Os Republicanos". O objetivo é fugir às siglas e virar a página de dois anos de divisões internas. Mas a proposta tem sido muito críticada.

"Os Republicanos". É assim que o antigo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, quer que se passe a chamar o seu partido de centro-direita União para um Movimento Popular (UMP). O político acredita que esta denominação é a mais apropriada para "fugir às siglas e aos acrónimos" e marcar a sua entrada numa nova fase. No entanto, a nova designação já abriu a polémica em França e até já há quem diga que Sarkozy está "fascinado" por George W. Bush, o antigo Presidente dos EUA.

A proposta, avançada por Sarkozy em novembro, será apresentada no congresso do partido, convocado para o final de maio.

Com a mudança de nome, o antigo chefe de Estado espera virar uma página negra na história recente da UMP, que atravessou dois anos de divisões internas. Visa ainda outros objetivos mais nobres: "Já é tempo de defendermos os valores da República, em vez de os destruirmos", afirmou Sarkozy ao jornal francês Journal du Dimanche. E que valores são esses? "Trabalho, responsabilidade, autoridade, mérito, esforço, secularismo, progresso e liberdade", acrescentou.

Fontes do partido de direita sublinham que esta proposta está a ser "bem recebida" pelos militantes que, segundo o jornal espanhol El País, destacam a vantagem do partido de extremadireita Frente Nacional deixar de poder referir-se ao "UMPS", uma sigla utilizada para sublinhar as semelhança entre os partidos tradicionais - a UMP e o Partido Socialista. 

Mas se os militantes ficaram satisfeitos, os barões estão contra. Alain Juppé, o rival de Sarkozy na UMP e que aprovou, juntamente com o antigo Presidente Jacques Chirac, a atual denominação do partido, já criticou esta proposta. Para ele, a palavra "republicanos" tem uma semelhança "excessiva" com o Partido Republicano dos EUA. Jean-François Copé diz-se "surpreendido" com esta mudança depois do triunfo eleitoral do centro-direita nas eleições do mês passado. 

A esquerda também não poupou esta proposta. O socialista Jean-Marie Le Guen diz que a apropriação de um termo que engloba todos os cidadãos da República "é um abuso de poder" e que o termo é um "bem comum", não devendo Sarkozy apropriar-se dele. Já o primeiro secretário dos socialistas, Jean-Christophe Cambadélis, admite que a eleição do nome prova que Sarkozy está "fascinado" pelo antigo Presidente norte-americano, George W. Bush.