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Os pinguins já não são o que eram...

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O andar dos pinguins em terra nem sempre foi tão bamboleante

Reuters

Uma experiência no zoo de Londres estuda o andar bamboleante dos pinguins. Há 60 milhões de anos, estas aves tinham tamanhos entre o minúsculo e o humano. À medida que evoluíram para nadar como sereias, ficaram gingantes em terra.

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

O andar bamboleante dos pinguins está no centro da admiração que os humanos nutrem por estas aves de casaca preta. Para lá do encanto que lhes conferem, o movimento gingado provocado pelas pernas curtas quando andam em terra é agora objeto de estudo científico. Na Praia dos Pinguins do zoo de Londres, o professor John Hutchinson investiga o funcionamento das pernas dos pinguins tentando chegar a conclusões científicas sobre a mecânica do seu movimento.

Até aqui, tudo bem, mas quando se assiste a uma fila de pinguins Humboldt a seguirem sobre uma passadeira construída expressamente para medir amplitudes de movimento e equilíbrio, conclui-se que há experiências científicas mais irresistíveis do que outras. Para chegar a conclusões científicas "estamos a tentar ligar o que sabemos sobre a evolução dos pinguins com ao seu desempenho e características físicas", declarou Hutchinson, do Royal Veterinary College, à BBC.

O bambolear dos pinguins é considerado um dos andares mais estranhos do mundo. Uma postura ereta como a dos humanos e umas perninhas curtas que os obrigam a balançar: "É muito cómico", confessa o investigador, acrescentando, "Quando vejo um animal fazer coisas estranhas, enquanto biólogo evolucionista quero saber como é que evoluiu, como é que se desenvolveu".

Todos para a "passarelle"

A experiência que tem por fim estudar e qualificar o andar das aves pôs aquela comunidade de pinguins londrina a percorrer uma "passerelle" por baixo da qual uma série de sensores permite gravar, e posteriormente avaliar, a dinâmica do seu movimento. Trata-se, na verdade, de uma faixa balizada lateralmente que eles têm de percorrer para serem observados à custa, nalguns casos, de iscos saborosos que os persuadem a levar o percurso até ao fim. Os sensores permitem medir individualmente as forças em jogo no andar das aves.

A tratadora do zoo de Londres, que cuida diariamente dos pinguins incluídos na experiência, foi fundamental para encontrar os estímulos certos para fazê-los avançar na passadeira. Uns fios agitados á frente deles, uma bola de ténis na ponta de um pau ou um pedaço de peixe tornaram-se difíceis de resistir. Zuzana Matyasova contou à BBC que alguns dos pinguins mais jovens são muito curiosos, deixando-se atrair por qualquer novidade e atropelando-se para serem os primeiros a responder aos desafios.

Ao fim de vários dias, há dados suficientes para análise. E para começar a tirar conclusões, já que o andar bamboleante é uma novidade na evolução dos pinguins, cujos antepassados não gingavam, podiam ser minúsculos ou grandes como humanos, dizem-nos os fósseis conhecidos e que chegam a ter 60 milhões de anos. O que concluem cientistas como James Proffitt, da Universidade do Texas, é que o corpo dos pinguins mudou de forma ajudando-os a moverem-se facilmente dentro de água o que, ao mesmo tempo, os fez cada vez mais desastrados em terra.