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Os helis descolam com bens de primeira necessidade e regressam com feridos em lágrimas

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Getty

Equipas de busca e salvamento começaram a chegar às aldeias próximas do epicentro do sismo no Nepal. "As pessoas ficaram sem nada. Precisam da nossa atenção durante os próximos cinco anos."

Dois helicópteros das Forças Armadas indianas resgataram esta terça-feira oito mulheres da aldeia de Ranachour, na proximidade do epicentro do violento sismo que arrasou o Nepal no sábado. Quando aterraram em Gorkha, duas abraçavam bebés e uma terceira está a poucos dias de ser mãe.

"Há muitas pessoas feridas na minha aldeia", disse Sangita Shrestha, a grávida em fim de gestação, visivelmente exausta no momento em que deixou o helicóptero. Cercada por militares e polícias, foi de imediato levada para o hospital.

Conta a repórter da Associated Press Katy Daigle que a pequena cidade de Gorkha, capital do distrito com o mesmo nome, está a funcionar como base avançada das operações de busca e salvamento às populações próximas do epicentro, a 80 quilómetros da capital do Nepal, Katmandu. Os helis descolam com bens de primeira necessidade e regressam com feridos, em lágrimas, incapazes de caminhar ou mesmo de falar.

Muitas destas aldeias estão completamente isoladas do resto do mundo. Os deslizamentos de terras mantêm cortadas as estradas de acesso, revelam as autoridades locais.

Sita Karki rejubilou quando foi resgatada pelos militares que imobilizaram as suas pernas partidas. "Quando a terra tremeu, caiu-me uma parede em cima", contou à repórter da agência noticiosa norte-americana.

A chuva não está a ajudar. Começou a cair em força e deixou atolada a caravana de camiões do Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas que seguia para norte de Gorkha, rumo a uma das áreas mais afetadas pelo violento abalo.

"Esta chuva provocou um deslizamento de terras que bloqueou os meus camiões. Talvez consiga seguir viagem com um deles e correr o risco de conduzir na lama. Os outros voltarão para trás e tentaremos chegar às populações por via aérea", contou à AP Geoff Pinnock.

Quem já esteve próximo do epicentro, fala em aldeias praticamente reduzidas a escombros. É o caso da médica norte-americana, Rebecca McAtee: "Em algumas aldeias, 90% das casas colapsaram. A maior parte dos feridos são crianças e idosos". Os homens há muito que deixaram as aldeias à procura de melhores dias. Até ao momento, a polícia do distrito de Gorkha contabilizou 373 mortos.

Thomas Meyer, um engenheiro que trabalha para a International Nepal Fellowship, uma organização humanitária católica, e que acompanhou Rebecca McAtee na deslocação a alguma destas aldeias, não tem dúvidas de que será preciso muito tempo para a vida voltar à normalidade. "As pessoas ficaram sem nada. Precisam da nossa atenção durante os próximos cinco anos."