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Os dois de sempre e os dois rookies: enigmas, incertezas e tubos de ensaio na luta partidária espanhola

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Regionais andaluzas são um dos primeiros testes ao eleitorado

FOTO REUTERS

A sondagem mais recente indica um intervalo de apenas 4,1 pontos percentuais entre PP (no poder), PSOE, Podemos e Cidadãos. Alianças de Governo são uma incógnita, mas as eleições regionais podem ajudar a definir o mapa político.

A oito meses das eleições legislativas, o panorama político espanhol é cada vez menos claro. Segundo uma sondagem do instituto Metroscopia, publicada este fim de semana pelo diário "El País", a vitória no próximo outono disputa-se entre quatro partidos. Não só o vencedor é algo imprevisível como as possíveis alianças para constituir maioria são um enigma que os líderes partidários não querem, por agora, resolver.

Além das duas forças políticas que dominaram os últimos 30 anos da democracia em Espanha - o Partido Popular (direita, no Governo) e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) -, surgem o Podemos, nascido dos protestos contra a austeridade, e o Cidadãos, criado na Catalunha para combater o independentismo. Estas quatro formações estão taco a taco no estudo de opinião, dentro de um intervalo de quatro pontos. O trabalho de campo fez-se entre 3 e 4 de março.

Podemos em primeiro na sondagem

O Podemos aparece, e não pela primeira vez, como o partido com mais intenções de voto (22,5%). Segue-se o PSOE (20,2%), o que mostra bem o descontentamento com o Executivo de Mariano Rajoy, que não só impôs fortes medidas de austeridade como está envolvido em teias de corrupção a nível nacional e regional. Ainda há dias foram pronunciados 40 dirigentes do PP e o próprio partido no julgamento da alegada rede corrupta "Gürtel".

O partido governante cai para terceiro lugar nesta sondagem, com 18,6% das intenções de voto. Só duas décimas o separam do Cidadãos - Partido da Cidadania, o fenómeno deste início de ano, que ultrapassou o âmbito regional em que passou vários anos para se tornar um concorrente sério a fazer parte do próximo Governo.

Além do PP, a notícia é má para outros dois partidos nacionais: a Esquerda Unida (5,6%) e a centrista União Progresso e Democracia (UPyD, 3,6%). Esta última, uma cisão do PSOE, chegou a tentar um entendimento com os Cidadãos, que fracassou em parte pelo protagonismo dos respetivos líderes, Rosa Díez e Alberto Rivera. A sondagem vaticina uma participação alta, com 74,5% dos inquiridos a dizer que tenciona ir às urnas.

Andaluzia pode ser tubo de ensaio

Antevendo-se o Parlamento mais fragmentado dos últimos tempos, é quase impossível um partido ter maioria absoluta. Claro que muita coisa pode mudar, até porque há três eleições importantíssimas antes das legislativas: regionais andaluzas a 22 de março; municipais em todo o país e regionais (exceto no País Basco, Catalunha e Galiza) em maio; e regionais catalãs, com o separatismo pelo meio, a 27 de setembro.

Talvez por isso mesmo, os dirigentes não revelam os seus aliados preferidos. Pedro Sánchez, líder do PSOE, tem aceite pactos de Estado com Rajoy, mas apenas em assuntos como terrorismo. Podemos ou Cidadãos surgem como alternativa para uma aliança com os socialistas. Pablo Iglesias, líder do Podemos, já assegurou que não olhará para cartões partidários, mas para ideias e propostas, na hora de forjar coligações. A Andaluzia pode servir de tubo de ensaio, dado que a socialista Susana Díaz deve vencer sem maioria absoluta.

Rivera diz que só haverá acordos "para uma mudança política, económica e social" e que não lhe interessam cargos, mas responder à inquietação do eleitorado, espelhada na ascensão dos Cidadãos e do Podemos, em detrimento dos partidos tradicionais.